Auto da Compadecida - Suassuna, Ariano

Edição: 39ª
Publicação: 31 de maio de 2018
Idioma: Português
Páginas: 208
Peso: 0.600 kg
Dimensões: 20.6 x 13.4 x 1.6 cm
Formato: Capa comum
ISBN-10: 9788520938393
ISBN-13: 9788520938393

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Auto da compadecida - Ariano Suassuna

Publicado em 1955, Auto da compadecida é a obra-prima de Ariano Suassuna, dramaturgo paraibano que se destacou por unir tradição popular e erudição literária. A peça, escrita em forma de auto, mescla elementos da cultura nordestina com referências religiosas e universais, criando uma narrativa que oscila entre o cômico e o trágico. A história acompanha as aventuras de João Grilo e Chicó, dois homens pobres e astutos que, por meio da esperteza e da palavra, enfrentam as adversidades da vida sertaneja. Entre milagres, embustes e julgamentos divinos, a obra revela a força da imaginação popular e a crítica às desigualdades sociais.

Ariano Suassuna constrói um texto teatral que se inscreve na tradição dos autos medievais e barrocos, mas o reinventa ao situá-lo no sertão nordestino. O título já anuncia a presença da Virgem Maria, a “Compadecida”, que surge como figura de misericórdia e intercessão diante das falhas humanas. A peça, no entanto, não se limita ao aspecto religioso: ela é também uma sátira social, que expõe as contradições da vida sertaneja, a hipocrisia das elites locais e a luta pela sobrevivência dos mais pobres.

O estilo de Suassuna é marcado pela oralidade, pelo humor e pela ironia, mas também por uma profunda sensibilidade poética. O autor utiliza a linguagem popular sem prescindir da densidade literária, criando diálogos que ressoam tanto no riso quanto na reflexão. João Grilo, personagem central, é a encarnação do “anti-herói” nordestino: frágil, astuto, sobrevivente. Sua esperteza não é apenas artifício cômico, mas símbolo da resistência cultural diante da opressão.

A estrutura da peça culmina no julgamento das almas, momento em que o teatro se torna espaço de reflexão metafísica. Nesse tribunal celestial, a Compadecida intervém em favor dos homens, reafirmando a dimensão da misericórdia sobre a rigidez da justiça. O desfecho, ao mesmo tempo, moral e festivo, sintetiza a proposta de Suassuna: unir o sagrado e o profano, o riso e a seriedade, o popular e o erudito.

Auto da compadecida transcende o teatro regional e se afirma como obra universal, capaz de dialogar com tradições literárias diversas e de revelar, com humor e compaixão, a complexidade da condição humana.

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