| Edição: 1ª edição |
| Publicação: 1 de agosto de 2005 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 128 |
| Peso: 0.141 kg |
| Dimensões: 17.6 x 10.2 x 0.8 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 8525410977 |
| ISBN-13: 9788525410979 |
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Cogito ergo sum. “Penso, logo existo.”
Publicado em 1637, o Discurso do método para bem conduzir a própria razão e procurar a verdade nas ciências é mais do que um tratado filosófico; é o manifesto de uma revolução intelectual. René Descartes, ao redigir esta obra em francês em vez do latim acadêmico, rompeu com a tradição escolástica para se dirigir ao “senso comum” da humanidade. O texto apresenta a trajetória de um pensador que, descontente com a incerteza dos ensinamentos recebidos, decide investigar o próprio intelecto como fonte de verdade. Descartes propõe uma ruptura com a autoridade externa e a tradição para estabelecer um fundamento inabalável para o conhecimento, baseado na clareza e na distinção.
A obra é dividida em seis partes que misturam o relato autobiográfico com a exposição lógica. Nela, Descartes introduz a dúvida metódica: a decisão de rejeitar como falso tudo o que admita a menor suspeita de incerteza. Esse processo radical não visa o ceticismo permanente, mas a descoberta de uma verdade que resista a qualquer questionamento, servindo de alicerce para a reconstrução de todo o edifício do saber humano.
O ápice do Discurso ocorre quando Descartes percebe que, embora possa duvidar de tudo — dos sentidos, do mundo físico e até das verdades matemáticas —, ele não pode duvidar de que está duvidando. No ato de pensar, reside a prova irrefutável da existência. A máxima “Penso, logo existo” (Je pense, donc je suis) torna-se a primeira certeza metafísica, colocando o sujeito pensante no centro da realidade. A partir dessa base, o autor estabelece as quatro regras fundamentais de seu método: a evidência (nunca aceitar nada como verdadeiro sem conhecê-lo claramente), a análise (dividir os problemas em partes menores), a síntese (ordenar o pensamento do mais simples ao mais complexo) e a enumeração (revisar tudo para garantir que nada foi omitido).
Descartes também aborda a distinção entre a alma e o corpo, consolidando o dualismo psicofísico. Para ele, o ser humano é uma união de duas substâncias distintas: a res cogitans (coisa pensante), imaterial e livre, e a res extensa (coisa extensa), material e sujeita às leis mecânicas da natureza. Essa visão permitiu o desenvolvimento da ciência moderna como uma investigação mecânica e matemática do mundo físico, reservando à metafísica o estudo da mente e de Deus.
Enquanto reconstrói os fundamentos do saber, Descartes propõe uma “moral provisória” para guiar a conduta prática na vida cotidiana. Ele sugere obedecer às leis e costumes do país, manter-se firme em suas decisões após tomá-las e procurar vencer a si antes que ao destino. Essa prudência revela o lado pragmático do filósofo, que reconhecia a necessidade de agir no mundo enquanto a verdade ainda era buscada.
A obra encerra-se com reflexões sobre a física, a circulação do sangue e a importância da cooperação científica para o bem-estar da humanidade. A qualidade editorial do Discurso do método reflete o espírito do racionalismo: a crença inabalável de que a razão humana, se bem dirigida, é capaz de desvendar os mistérios do universo e melhorar a condição humana através da medicina e da técnica. É o ponto de partida indispensável para compreender a modernidade e o lugar do homem como “mestre e possuidor da natureza”.
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