| Edição: 1ª |
| Publicação: 1 de janeiro de 2009 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 128 |
| Peso: 0.100 kg |
| Dimensões: 17.6 x 10.6 x 0.8 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 852541946X |
| ISBN-13: 9788525419460 |
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Comprar LivroNesta obra de síntese e análise profunda, Jacques Colette empreende uma investigação rigorosa sobre as raízes, o desenvolvimento e as ramificações do movimento existencialista. Longe de tratar o tema como uma moda passageira do pós-guerra parisiense, o autor estabelece uma genealogia que recua até as angústias de Kierkegaard e as desconstruções de Nietzsche, culminando na sistematização fenomenológica de Heidegger e na vertente engajada de Sartre. Colette utiliza uma linguagem erudita e precisa para delimitar o que constitui a especificidade do pensamento existencial: a primazia da existência individual, concreta e situada sobre as essências abstratas e os sistemas universais. A narrativa teórica foca no modo como o sujeito se percebe "lançado" no mundo, desprovido de uma justificativa transcendental e, portanto, condenado a inventar o seu próprio sentido através da ação e da escolha.
A escrita do autor privilegia a clareza conceitual, detalhando as nuances que separam os existencialismos de matiz cristão, como o de Gabriel Marcel, das versões ateias e humanistas. O texto analisa a "situação" como o conceito-chave que ancora a liberdade na realidade física e histórica; não somos livres no vácuo, mas sim dentro de limites que, paradoxalmente, são as condições de possibilidade da nossa libertação. Colette explora com minúcia a fenomenologia da percepção e do corpo, mostrando como a subjetividade não é uma substância isolada, mas um "ser-no-mundo" em constante diálogo com as coisas e com os outros. A análise evita o jargão excessivo sem sacrificar o rigor, transformando a leitura em uma jornada intelectual que desafia as pretensões da metafísica clássica.
A obra aborda o conceito de angústia não como um estado patológico, mas como a revelação ontológica da nossa própria liberdade. Colette investiga como o reconhecimento do nada — a percepção de que não há um destino pré-escrito — gera o vertiginoso sentimento de responsabilidade total por nossas escolhas. A análise do texto destaca a "má-fé" como a fuga covarde dessa responsabilidade, um tema recorrente na literatura e na filosofia do período que o autor disseca com acuidade crítica. A figura do "outro" também recebe atenção especial: Jacques Colette examina como o olhar alheio nos objetifica e, ao mesmo tempo, nos constitui, criando uma tensão permanente entre a autonomia individual e a intersubjetividade social.
A linguagem da obra é densa e reflexiva, mantendo um tom de investigação filosófica que exige a participação ativa do leitor. O autor analisa o impacto do existencialismo na literatura, no teatro e na ética contemporânea, questionando como a ideia de um "homem sem mestre" ressoa em um século marcado por crises ideológicas e desilusões políticas. A reflexão estende-se para a possibilidade de uma ética sem fundamentos absolutos, baseada unicamente na autenticidade e no compromisso com o tempo presente. O desfecho do livro reafirma a atualidade do existencialismo como um chamado à vigilância crítica e à recusa de todas as formas de alienação, posicionando a obra de Jacques Colette como uma referência indispensável para a compreensão do drama humano na modernidade.