O último dia de um condenado - Hugo, Victor

Edição:
Publicação: 1 de julho de 2017
Idioma: Português
Páginas: 96
Peso: 0.080 kg
Dimensões: 17.6 x 10.6 x 0.6 cm
Formato: Capa comum
ISBN-10: 8525436321
ISBN-13: 9788525436320

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O último dia de um condenado - Victor Hugo

Publicado em 1829, O último dia de um condenado é uma obra breve e contundente em que Victor Hugo se posiciona contra a pena de morte, expondo com vigor literário e moral o drama de um homem que aguarda sua execução. Narrado em primeira pessoa, o texto assume a forma de um diário íntimo, em que o condenado registra suas últimas reflexões, medos e esperanças, enquanto o tempo se esvai inexoravelmente. Hugo, ao dar voz ao prisioneiro anônimo, transforma sua experiência individual em denúncia universal, questionando a legitimidade da justiça que se arroga o direito de suprimir vidas.

A força do romance reside em sua simplicidade formal e em sua intensidade emocional. Ao optar por uma narrativa em primeira pessoa, Hugo elimina qualquer distância entre leitor e personagem: somos conduzidos diretamente ao interior da mente de um homem que sabe que sua vida terminará em poucas horas. Essa escolha estilística confere ao texto uma urgência visceral, que se traduz em frases curtas, pensamentos fragmentados e súplicas silenciosas.

O protagonista não é descrito em detalhes, tampouco sua culpa ou inocência é discutida. O que importa não é o crime, mas a condição humana diante da morte imposta pelo Estado. Essa ausência de contexto jurídico é deliberada: Hugo pretende universalizar a experiência, mostrando que qualquer homem, independentemente de sua história, é reduzido a um corpo condenado quando a pena capital é aplicada.

O romance é também um manifesto político e filosófico. Hugo denuncia a crueldade da pena de morte, não apenas como punição, mas como espetáculo público, em que a sociedade se compraz em assistir à destruição de um indivíduo. Ao mesmo tempo, o texto revela a compaixão do autor por aqueles que, mesmo culpados, permanecem humanos e dignos de misericórdia.

Estilisticamente, O último dia de um condenado é marcado pela clareza e pela intensidade. Não há ornamentos desnecessários: cada palavra é escolhida para transmitir a angústia do condenado e para provocar no leitor uma reflexão sobre a justiça e a humanidade. É uma obra que, embora breve, possui uma força duradoura, capaz de atravessar séculos e ainda interpelar nossa consciência.

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