| Edição: 1ª |
| Publicação: 8 de janeiro de 2021 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 128 |
| Peso: 0.130 kg |
| Dimensões: 20.6 x 11.4 x 0.8 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 852730211X |
| ISBN-13: 9788527302111 |
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Comprar LivroPublicado em 1925, Linguagem e mito é uma obra de Ernst Cassirer, filósofo alemão ligado à tradição neokantiana e à escola de Marburgo. O livro investiga a íntima relação entre linguagem e mito, mostrando como ambos constituem formas simbólicas que estruturam a experiência humana. Cassirer parte da ideia de que o mito não é uma narrativa irracional ou primitiva, mas uma forma de pensamento simbólico que, assim como a linguagem, organiza o mundo e dá sentido à realidade.
O autor demonstra que a linguagem, em seus primórdios, não se limitava a designar objetos, mas estava impregnada de significados míticos. As palavras eram portadoras de forças, de presenças, de realidades que transcendiam o mero aspecto referencial. Assim, mito e linguagem surgem como expressões de uma mesma necessidade humana: a de simbolizar e interpretar o mundo.
Cassirer insere sua análise no quadro mais amplo de sua filosofia das formas simbólicas, em que mito, linguagem, arte e ciência são vistos como modos distintos de apreensão da realidade. O mito, nesse contexto, não é um estágio inferior do pensamento, mas uma forma autônoma, dotada de lógica própria. Ele organiza o mundo por meio de imagens e narrativas que revelam a dimensão sagrada e misteriosa da existência.
Ao relacionar mito e linguagem, Cassirer mostra que ambos compartilham uma estrutura criadora: não apenas descrevem o mundo, mas o constituem simbolicamente. A linguagem mítica não é mera representação, mas participação no ser das coisas. Essa concepção rompe com visões evolucionistas que reduziam o mito a superstição ou a etapa pré-racional.
A escrita de Cassirer é rigorosa, mas também marcada por clareza conceitual. O livro articula filosofia, linguística e antropologia, oferecendo uma reflexão que permanece atual para os estudos da cultura e da religião. Sua análise revela que o mito não desaparece com o avanço da racionalidade, mas continua a se manifestar em novas formas simbólicas, inclusive na modernidade.
Linguagem e mito é, portanto, obra que ilumina a origem e a função simbólica da linguagem, mostrando que o pensamento humano é inseparável de sua dimensão mítica.