| Edição: 67ª |
| Publicação: 12 de agosto de 2014 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 154 |
| Peso: 0.181 kg |
| Dimensões: 22.6 x 15.2 x 1.2 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 8528614808 |
| ISBN-13: 9788528614800 |
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Nesta obra fundamental do teatro brasileiro, Dias Gomes articula uma tragédia de proporções místicas e sociais, centrada na figura de Zé do Burro, um sertanejo cuja fé inabalável colide frontalmente com a burocracia eclesiástica e o sensacionalismo urbano. A trama se desenvolve a partir de uma promessa feita por Zé em um terreiro de candomblé para salvar seu burro, Nicolau. O compromisso consiste em carregar uma pesada cruz de madeira do sertão até a Igreja de Santa Bárbara, em Salvador. No entanto, ao chegar ao seu destino, o protagonista encontra a resistência feroz do Padre Olavo, que vê no sincretismo da promessa uma heresia intolerável, impedindo sua entrada no templo.
O estilo de Dias Gomes em O pagador de promessas é marcado por um realismo crítico que desnudas as tensões entre o Brasil arcaico e a modernidade cínica da capital baiana. A linguagem transita entre a simplicidade quase bíblica das falas de Zé do Burro e a retórica manipuladora de personagens como o Repórter e o Monsenhor. A unidade de tempo e espaço — a ação concentra-se na escadaria da igreja ao longo de um dia — confere à peça uma tensão crescente, onde o sagrado é constantemente profanado pelo interesse político, pela exploração midiática e pela intolerância religiosa.
A arquitetura dramática da obra explora a incapacidade das instituições formais de compreenderem a pureza do mito e a espiritualidade orgânica do povo. Zé do Burro não é um teólogo, mas um homem de palavra; para ele, Santa Bárbara e Iansã fundem-se em uma única entidade de misericórdia. O Padre Olavo, por outro lado, representa a ortodoxia cega que prefere a letra da lei ao espírito da caridade. Ao redor desse embate, gravitam figuras como Rosa, a esposa de Zé que se vê seduzida e corrompida pelo ambiente urbano, e Bonitão, o explorador que encarna a malandragem predatória.
O desfecho da peça eleva Zé do Burro à categoria de mártir involuntário. Sua morte, ocorrida no auge de um conflito que ele nunca desejou alimentar, ironicamente permite que sua promessa seja cumprida: seu corpo é levado para dentro da igreja sobre a cruz que carregou, em uma imagem de poderosa catarse visual e simbólica. Dias Gomes utiliza essa conclusão para denunciar como a sociedade e a Igreja frequentemente destroem o homem para, somente então, apropriarem-se de seu mito. A obra permanece como um manifesto contra a intolerância e uma ode à dignidade do homem simples diante das engrenagens do poder.
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