| Edição: 16ª |
| Publicação: 2 de dezembro de 2019 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 294 |
| Peso: 0.440 kg |
| Dimensões: 15.5 x 1.6 x 23 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 8528624137 |
| ISBN-13: 9788528624137 |
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Comprar LivroA obra apresenta a trajetória de Eva Luna, uma protagonista que utiliza a narrativa oral como meio de sobrevivência e ascensão social. Diferente de obras anteriores da autora, este romance assume um tom de picaresca moderna, em que a personagem principal, órfã e despossuída, transita por diferentes estratos da sociedade venezuelana. A estrutura narrativa é pautada pela capacidade de Eva em "vender" ou presentear histórias, transformando a realidade ao seu redor por meio da ficção. O texto explora a ideia da palavra como ferramenta de poder, permitindo que a protagonista molde sua própria identidade em um ambiente marcado pela instabilidade política e pela rigidez das classes sociais.
O romance é estruturado em duas linhas temporais que correm em paralelo até se fundirem. De um lado, acompanhamos o amadurecimento de Eva Luna em meio a cozinhas de casas ricas, bordéis e acampamentos de guerrilha. De outro, a história de Rolf Carlé, um cinegrafista europeu assombrado pelo passado de seu pai na Segunda Guerra Mundial e pelas atrocidades do nazismo. Allende utiliza esse recurso para contrastar a herança traumática do Velho Mundo com a vitalidade e o caos da América Latina. A convergência entre Eva e Rolf ocorre em um cenário de insurgência política, em que a narrativa individual de ambos se dissolve nos eventos coletivos de um país em busca de sua democratização.
A obra destaca personagens situados à margem da norma social, como Mimoso, a figura trans que acolhe Eva, e os guerrilheiros que buscam a derrubada do regime vigente. Essas figuras operam como agentes de mudança que desafiam as estruturas de autoridade, sugerindo que a verdadeira vitalidade do país reside em suas periferias e na solidariedade entre os excluídos.
Embora mantenha elementos do fantástico, a narrativa é ancorada em uma realidade política concreta, abordando temas como a ditadura, a corrupção militar e a exploração do petróleo. A evolução de Eva Luna, de contadora de histórias de rua a roteirista de telenovelas, serve como um comentário sobre a indústria cultural e a capacidade da ficção de massa em pautar debates sociais. O desfecho da obra evita resoluções utópicas, mantendo o foco na continuidade da narrativa como o único território onde a protagonista exerce plena soberania sobre seu destino e sobre as memórias daqueles que cruzaram seu caminho.