Ser e o nada: Ensaio de ontologia fenomenológica - Sartre, Jean-Paul

Edição: 24ª
Publicação: 1 de janeiro de 2015
Idioma: Português
Páginas: 832
Peso: 1.04 Kg
Dimensões: 23 x 15.6 x 3.6 cm
Formato: Capa comum
ISBN-10: 853261762X
ISBN-13: 9788532617620

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Ser e o nada: Ensaio de ontologia fenomenológica - Jean-Paul Sartre

A consciência como negação e a ontologia da liberdade

Publicado em 1943, durante a ocupação da França, O ser e o nada constitui o tratado fundamental do existencialismo ateu de Jean-Paul Sartre. A obra propõe uma investigação ontológica que divide a realidade em duas categorias irredutíveis: o ser-em-si, que representa a densidade plena e opaca das coisas, e o ser-para-si, a consciência humana, caracterizada por ser um "nada" de ser. A erudição do texto manifesta-se na habilidade de Sartre em fundir a fenomenologia de Husserl e Heidegger com uma visão radical da subjetividade, onde a consciência é definida pela sua capacidade de negar o dado e projetar-se para o futuro.

A tese central reside na afirmação de que, no homem, a existência precede a essência. Diferente de um objeto fabricado, que possui uma finalidade prévia, o ser humano é lançado no mundo sem um sentido predefinido, sendo condenado a ser livre. Essa liberdade absoluta, no entanto, não é um privilégio, mas um fardo que gera a angústia diante da total responsabilidade pelas próprias escolhas. Sartre utiliza uma linguagem técnica e precisa para descrever como o indivíduo tenta, inutilmente, atingir a estabilidade do "em-si" mantendo a lucidez do "para-si", um projeto que ele define como o desejo de ser Deus.

A má-fé, o olhar do outro e a facticidade

Um dos eixos mais célebres da obra é a análise da má-fé, o mecanismo pelo qual o indivíduo mente para si, tentando fugir de sua liberdade ao fingir que é um objeto determinado por circunstâncias ou papéis sociais. A qualidade editorial da argumentação sartriana brilha na descrição de cenas cotidianas, como a do garçom de café que desempenha seu papel com excesso de zelo para evitar enfrentar o vazio de sua própria existência. A sobriedade do texto reforça a crueza da condição humana, despida de justificativas metafísicas ou religiosas.

O autor dedica uma parte substancial ao fenômeno do "ser-para-outro", introduzindo a famosa análise do olhar. Sartre demonstra que a presença do outro me transforma em objeto, roubando-me a soberania sobre o meu mundo e revelando a dimensão da vergonha. A relação interpessoal é, portanto, descrita como um conflito de liberdades, onde cada sujeito tenta recuperar sua transcendência ao objetificar o outro. A obra encerra-se com a proposta de uma psicanálise existencial, que busca compreender o "projeto fundamental" de cada indivíduo a partir da forma como ele habita sua facticidade e exerce sua liberdade.

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