| Edição: 10ª |
| Publicação: 1 de janeiro de 2015 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 600 |
| Peso: 0.360 kg |
| Dimensões: 20.8 x 13.6 x 3 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 853263284X |
| ISBN-13: 9788532632845 |
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Comprar LivroPublicado em 1927, Ser e tempo representa uma das viradas mais profundas na ontologia ocidental, ao retomar a questão fundamental que, segundo Martin Heidegger, teria sido esquecida pela tradição metafísica desde Platão: o sentido do ser. A obra rompe com a dicotomia tradicional entre sujeito e objeto para propor uma investigação sobre o Dasein — o "ser-aí" ou a realidade humana —, entendido como o ente que, em seu próprio ser, está em jogo este mesmo ser. A erudição do texto manifesta-se na desconstrução da terminologia filosófica clássica e na criação de um vocabulário novo, capaz de captar a estrutura da existência antes das categorizações lógicas ou científicas.
Heidegger sustenta que o ser não é uma entidade estática, mas algo que se desvela na temporalidade. A característica fundamental do Dasein é o seu "ser-no-mundo", uma condição de engajamento prático e afetivo que precede o conhecimento teórico. O filósofo descreve a existência não como uma substância, mas como um poder-ser, uma abertura para possibilidades constantemente mediadas pela finitude. A sobriedade da prosa heideggeriana, embora densa, busca resgatar a crueza da experiência vivida contra a abstração técnica que dominou o pensamento moderno.
A obra explora as estruturas da cotidianidade, como o "ser-com" e a tendência ao impessoal, onde o indivíduo se perde nas convenções sociais e no discurso vazio. É por meio da angústia que o Dasein é confrontado com o nada e com a sua própria singularidade, revelando a sua condição de "ser-para-a-morte". Esta consciência da finitude não é apresentada como um niilismo paralisante, mas como a condição necessária para a existência autêntica, na qual o sujeito assume a responsabilidade pelas suas escolhas diante do tempo limitado que lhe cabe.
A qualidade editorial do pensamento de Heidegger reside na análise minuciosa de como o tempo constitui o horizonte de compreensão do ser. O passado, o presente e o futuro não são meras sucessões cronológicas, mas dimensões da cura ou preocupação (Sorge), que definem o modo como o ser humano habita o mundo. Ao situar o tempo como a estrutura ontológica fundamental, o autor redefine a filosofia não mais como uma busca por verdades eternas, mas como um esclarecimento do sentido do acontecer histórico e existencial.