| Edição: 4ª |
| Publicação: 1 de janeiro de 2015 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 624 |
| Peso: 0.757 kg |
| Dimensões: 13.97 x 3.51 x 20.96 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 8532643248 |
| ISBN-13: 9788532643247 |
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Comprar LivroPublicada originalmente em 1781, a Crítica da razão pura representa o marco divisório da filosofia moderna, operando o que o próprio Immanuel Kant denominou uma "revolução copernicana" na teoria do conhecimento. A obra surge como uma resposta ao impasse entre o dogmatismo racionalista e o ceticismo empirista, propondo uma investigação rigorosa sobre os limites e as capacidades da faculdade racional. A erudição de Kant manifesta-se na distinção fundamental entre o que conhecemos dos objetos — o fenômeno — e o que eles são em si — o noumenon —, estabelecendo que o conhecimento não é um reflexo passivo da realidade, mas uma construção ativa do sujeito.
A tese central articula a ideia de que, embora todo conhecimento comece com a experiência, nem todo ele se origina dela. Kant introduz a categoria dos juízos sintéticos a priori para demonstrar como a matemática e a física são possíveis enquanto ciências universais e necessárias. A linguagem do autor é técnica e austera, estruturando um sistema arquitetônico que organiza as formas puras da intuição sensível — o espaço e o tempo — e as categorias do entendimento. A sobriedade do texto reflete a precisão de um pensamento que busca mapear o território da razão para evitar que ela se perca em especulações metafísicas desprovidas de fundamento empírico.
Na primeira parte da obra, a estética transcendental, Kant demonstra que espaço e tempo não são propriedades das coisas em si, mas estruturas inerentes à sensibilidade humana. Sem essas formas, a percepção de qualquer objeto seria impossível. Prosseguindo para a analítica transcendental, o filósofo investiga como o entendimento processa as intuições sensíveis por meio de categorias fundamentais, como causalidade e substância. O argumento kantiano demonstra que pensamentos sem conteúdo são vazios, enquanto intuições sem conceitos são cegas, estabelecendo a mútua dependência entre sensibilidade e intelecto.
A dialética transcendental, seção final da obra, atua como uma crítica aos usos transcendentes da razão, que tenta conhecer Deus, a alma e a liberdade como se fossem objetos da experiência. Kant argumenta que, embora a razão sinta uma necessidade natural de buscar o incondicionado, ela cai em antinomias e contradições insolúveis quando ultrapassa os limites do fenômeno. Esta análise impõe uma humildade intelectual necessária, limitando o conhecimento científico ao mundo da experiência possível e reservando questões morais e metafísicas para o domínio da razão prática.
O encerramento da Crítica da razão pura consolida a autonomia do sujeito racional, que deixa de ser um observador acidental da natureza para se tornar o legislador de suas próprias leis de entendimento. Kant não encerra a metafísica, mas a redefine como uma ciência dos limites da razão humana. A sobriedade de sua conclusão reafirma que o progresso da filosofia depende da constante autocrítica da faculdade racional, garantindo a estabilidade do edifício do conhecimento contra o entusiasmo místico e o desespero cético.
A obra permanece como a base sobre a qual toda a filosofia contemporânea foi erguida. O rigor lógico e a profundidade da investigação kantiana transformaram a epistemologia em uma disciplina crítica, forçando o pensamento ocidental a reconhecer que as condições de possibilidade do conhecimento residem na estrutura da própria mente humana. A leitura deste tratado é indispensável para a compreensão da ciência, da ética e da política modernas, representando o esforço supremo de clarificação da inteligência humana.
O livro estabelece os limites e as condições de possibilidade do conhecimento humano, propondo que o sujeito organize a experiência mediante categorias e formas puras da sensibilidade.