| Edição: 1ª |
| Publicação: 1 de março de 2024 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 264 |
| Peso: 0.360 kg |
| Dimensões: 13 x 1.7 x 19.5 cm |
| Formato: Capa dura |
| ISBN-10: 8532667015 |
| ISBN-13: 9788532667014 |
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Comprar LivroJoshua Frydman, especialista em literatura e cultura nipônica, tece nesta obra uma análise magistral sobre a complexa tapeçaria espiritual do Japão, onde o mito não é uma relíquia estática, mas uma força viva que se molda e se reinterpreta através dos séculos. O autor conduz o leitor desde as brumas do *Kojiki* e do *Nihon Shoki*, as crônicas mais antigas do país, até a presença vibrante dos deuses na cultura popular contemporânea. Com uma linguagem erudita e imbuída de uma sensibilidade estética aguçada, Frydman demonstra como o xintoísmo primordial, com sua veneração à miríade de *kami*, fundiu-se de forma alquímica com o budismo continental, criando uma identidade religiosa única, onde o sagrado reside tanto no pico nevado do Monte Fuji quanto no silêncio de um santuário doméstico.
Um dos pilares desta obra reside na exploração das divindades fundacionais e suas narrativas profundamente humanas em seus vícios e virtudes. Frydman disseca o mito de Amaterasu, a deusa do sol, e seu retiro na caverna, analisando-o não apenas como um fenômeno cosmogônico, mas como uma metáfora da ordem social e da necessidade da luz espiritual para a manutenção da vida. A prosa do autor percorre as linhagens imperiais, que reivindicam descendência direta do divino, e mergulha na psicologia de figuras como Susano-o, o deus das tempestades, cujos impulsos caóticos são essenciais para o dinamismo do cosmos. O livro oferece considerações detalhadas sobre a natureza dos *kami*, que não são deuses no sentido ocidental, mas emanações de poder que habitam a natureza, objetos e ancestrais.
Frydman dedica capítulos fascinantes aos espíritos e criaturas que habitam as fronteiras da percepção humana. Ele analisa os *yokai* e os *yurei* como manifestações dos medos, desejos e tabus da sociedade japonesa, demonstrando como essas entidades evoluíram de presságios aterradores para ícones da mídia moderna, sem perder sua essência de mistério e alteridade.
Ao concluir sua jornada, Joshua Frydman reflete sobre a resiliência das narrativas clássicas em um Japão hipertecnológico. Ele argumenta que os mitos continuam a informar a ética, a estética e até mesmo a estrutura narrativa dos animes e mangás, provando que a conexão com o passado mítico é o que confere ao Japão sua singularidade no cenário global. Suas considerações finais enfatizam que entender os mitos japoneses é, em última análise, compreender a alma de um povo que vê o mundo como um jardim de deuses invisíveis. A obra subsiste como um portal indispensável, oferecendo ao leitor a clareza acadêmica necessária para desvelar os véus de um universo em que o antigo e o novo coexistem em uma harmonia paradoxal e bela.