| Edição: 1ª |
| Publicação: 1 de maio de 2025 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 176 |
| Peso: 0.200 kg |
| Dimensões: 13.7 x 0.8 x 21 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 8532671950 |
| ISBN-13: 9788532671950 |
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Comprar LivroPublicado em 1783, Prolegômenos a toda metafísica futura que se possa apresentar como ciência surge como uma resposta de Immanuel Kant às dificuldades de recepção de sua obra monumental, a Crítica da razão pura. Percebendo que a densidade de sua tese principal obscurecia a revolução que pretendia operar, Kant redigiu este volume como um guia preparatório, uma introdução analítica que visa estabelecer as condições de possibilidade para que a metafísica possa, enfim, reivindicar a condição de ciência rigorosa. É nesta obra que o filósofo confessa ter sido David Hume quem, anos antes, o despertou de seu "sono dogmático", forçando-o a questionar a validade dos conceitos metafísicos tradicionais.
O cerne da investigação kantiana reside na distinção entre juízos analíticos e sintéticos, e na pergunta fundamental: "como são possíveis os juízos sintéticos a priori?". Kant argumenta que, para que a metafísica seja científica, ela não pode ser apenas um jogo de definições conceituais, mas deve ser capaz de expandir nosso conhecimento de forma universal e necessária, sem depender exclusivamente da experiência sensorial.
Kant estrutura seu argumento mediante uma análise sobre as bases do conhecimento matemático e das ciências naturais. Ele demonstra que o espaço e o tempo não são propriedades das coisas em si (númenos), mas formas puras da sensibilidade humana; são as "lentes" através das quais percebemos o mundo. Dessa forma, a matemática é possível como ciência porque se baseia em intuições puras a priori. Do mesmo modo, a física é possível porque o nosso entendimento organiza o caos das sensações por meio de categorias universais, como a de causa e efeito.
A grande virada teórica dos Prolegômenos é a afirmação de que o sujeito não apenas recebe passivamente os dados da realidade, mas ativamente os constitui. O conhecimento é, portanto, o resultado do encontro entre a matéria fornecida pela experiência e a forma fornecida pelo intelecto. Esta "revolução copernicana" na filosofia desloca o foco do objeto para as capacidades cognoscitivas do sujeito, delimitando rigorosamente o campo de atuação da razão humana.
A obra culmina em uma advertência sobre os limites da inteligência. Kant estabelece uma fronteira intransponível entre o "fenômeno" — a coisa tal como se apresenta a nós, organizada pelo espaço, tempo e categorias — e o "númeno" — a coisa em si, que permanece incognoscível. A metafísica tradicional errou ao tentar aplicar as categorias do entendimento a objetos que ultrapassam a experiência possível, como a alma, o mundo como totalidade ou a divindade, resultando em contradições insolúveis ou antinomias.
Com uma linguagem técnica, mas notavelmente mais acessível que a de sua Crítica, Kant oferece nos Prolegômenos um mapa do território do saber. Ele não aniquila a metafísica, mas a purifica, transformando-a de um dogmatismo cego em uma crítica da própria razão. A qualidade editorial desta obra é evidenciada pela sua capacidade de sistematizar o pensamento moderno, tornando-se o portal obrigatório para qualquer um que deseje compreender a estrutura da subjetividade ocidental.