| Edição: 1ª |
| Publicação: 1 de março de 2017 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 704 |
| Peso: 1.02 Kg |
| Dimensões: 22.8 x 16 x 3.8 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 8534941912 |
| ISBN-13: 9788534941914 |
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Comprar LivroA obra inaugural da célebre coleção assinada por Giovanni Reale e Dario Antiseri não se limita a um mero inventário cronológico de sistemas de pensamento. Trata-se de uma arquitetura exegética primorosa, onde o rigor filológico de Reale se funde à clareza metodológica de Antiseri para edificar um panorama vibrante das raízes intelectuais do Ocidente. O volume percorre o arco temporal que se inicia com o "milagre grego" do Logos, desprendendo-se das amarras do mito, e culmina no complexo amálgama entre a razão clássica e a revelação cristã que definiu a escolástica medieval. A narrativa é conduzida com uma elegância que transparece o respeito sagrado pelos textos originais, transformando o ato de ler em uma imersão na própria gênese do questionar humano.
Na primeira metade da obra, os autores exploram a transição fundamental das explicações cosmogônicas para a busca pelo arché, o princípio primordial. A análise dedicada aos pré-socráticos evita o reducionismo comum, apresentando-os como autênticos desbravadores da ontologia. No entanto, é no tratamento dispensado a Platão e Aristóteles que o volume atinge seu ápice de erudição. Reale, um dos maiores expoentes da interpretação da "doutrina não escrita" de Platão, oferece uma visão renovada sobre o mundo das ideias, enquanto a seção dedicada a Aristóteles desvela a sistematização da lógica e da metafísica com uma precisão cirúrgica. O texto consegue equilibrar a densidade dos conceitos — como a substância, o ato e a potência — com uma fluidez que permite ao leitor compreender a filosofia não como um objeto estático, mas como um diálogo perene entre mestres e discípulos através dos séculos.
A transição para a Idade Média é abordada sem os preconceitos iluministas que outrora rotularam esse período como uma "era das trevas". Pelo contrário, Antiseri e Reale demonstram como o pensamento cristão soube apropriar-se do instrumental helênico para fundamentar seus dogmas. A Patrística, com destaque absoluto para a introspecção psicológica e teológica de Santo Agostinho, serve de ponte para a Escolástica. O volume detalha como a universidade medieval se tornou o laboratório da razão, onde a disputa intelectual era a regra. A síntese tomista é apresentada como o coroamento desse esforço, em que a harmonia entre fé e razão estabelece um novo paradigma para a dignidade do intelecto humano diante do transcendente. A obra encerra-se deixando no leitor a nítida percepção de que a filosofia medieval foi, em essência, uma das fases mais inventivas e rigorosas da história do espírito.