| Edição: 1ª |
| Publicação: 15 de março de 2002 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 304 |
| Peso: 0.390 kg |
| Dimensões: 20.8 x 13.6 x 1.8 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 8535902198 |
| ISBN-13: 9788535902198 |
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Comprar LivroPublicado em 1968, Meu Michel é o romance que projetou Amós Oz no cenário literário internacional. A obra se passa na Jerusalém da década de 1960, cidade marcada por tensões históricas e espirituais, mas aqui retratada sobretudo como espaço íntimo, onde se desenrola a vida de Hana Gonen, narradora e protagonista. Casada com Michel, homem de temperamento sereno e racional, Hana se vê cada vez mais aprisionada em sua própria interioridade, deslizando lentamente para um estado de delírio e fragmentação psicológica.
A narrativa em primeira pessoa confere ao romance uma densidade singular: é através da voz de Hana que o leitor acessa tanto a rotina doméstica quanto os abismos de sua mente. Oz constrói uma personagem complexa, cuja percepção da realidade se mistura com fantasias e obsessões, revelando a fragilidade da identidade e a dificuldade de conciliar desejo, memória e vida cotidiana. O título, com o possessivo “meu”, já anuncia a perspectiva subjetiva e a relação de dependência e tensão que permeia o casamento.
A escrita de Amós Oz é marcada pela precisão e pela sobriedade, mas também por uma delicada intensidade lírica. O autor descreve os cenários de Jerusalém com minúcia, ao mesmo tempo em que mergulha na interioridade de Hana, criando uma atmosfera de inquietação constante. O contraste entre o mundo externo — concreto, histórico, palpável — e o universo interno da protagonista — nebuloso, instável, delirante — confere ao romance uma força estética que o torna inesquecível.
Meu Michel não é apenas a história de um casamento em crise, mas também uma metáfora da própria condição humana diante da solidão e da incomunicabilidade. Hana encarna a luta entre razão e imaginação, entre o desejo de estabilidade e a atração pelo caos. Ao explorar essa tensão, Oz oferece ao leitor uma reflexão sobre os limites da realidade e da fantasia, sobre o peso das escolhas e sobre a fragilidade das relações humanas.