O cavaleiro inexistente - Calvino, Italo

Publicação: 14 de julho de 2005
Idioma: Português
Páginas: 120
Peso: 0.100 kg
Dimensões: 17.6 x 12.2 x 0.8 cm
Formato: Capa comum
ISBN-10: 8535906797
ISBN-13: 9788535906790

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O cavaleiro inexistente - Italo Calvino

Publicado em 1959, O cavaleiro inexistente encerra a trilogia dos “Nossos Antepassados”, de Italo Calvino. A narrativa apresenta Agilulfo, cavaleiro impecável que, paradoxalmente, não possui corpo: é apenas uma armadura vazia, sustentada pela força da disciplina e da vontade. Sua existência é regida por regras, deveres e uma rigorosa ética militar, mas carece de substância vital. Ao lado de outros personagens — como o jovem Rambaldo, a guerreira Bradamante e a camponesa Gurdulù, que vive em estado de confusão entre si e o mundo —, Agilulfo percorre batalhas e jornadas que revelam a fragilidade das certezas e a complexidade da identidade.

Calvino constrói uma alegoria sofisticada sobre a essência do ser e a relação entre forma e conteúdo. Agilulfo, cavaleiro sem corpo, é metáfora da existência sustentada apenas por convenções sociais, pela rigidez das normas e pela obsessão pela perfeição. Sua armadura reluzente, impecável, contrasta com o vazio interior, expondo a tensão entre aparência e essência, entre o ideal e o real.

A narrativa, marcada pelo humor e pela ironia, insere-se em um cenário medieval que serve de palco para reflexões universais. O contraste entre Agilulfo e Gurdulù é particularmente revelador: enquanto o primeiro é pura forma sem substância, o segundo é pura substância sem forma, incapaz de distinguir-se do mundo ao redor. Essa oposição evidencia a impossibilidade de reduzir a condição humana a extremos, sugerindo que a verdadeira identidade se constrói na síntese entre ordem e caos, entre disciplina e vitalidade.

O estilo de Calvino é leve, mas impregnado de profundidade filosófica. Sua prosa, clara e inventiva, conduz o leitor por uma fábula que transcende o tempo histórico, convidando à reflexão sobre a autenticidade, a liberdade e a necessidade de equilíbrio entre razão e imaginação. Ao encerrar a trilogia, o autor reafirma sua capacidade de transformar o fantástico em instrumento de análise da realidade, revelando que a inexistência pode ser tão significativa quanto a presença.

O cavaleiro inexistente é uma obra que alia fantasia e filosofia, explorando os limites da identidade e da existência, e reafirmando o poder da literatura como espaço de questionamento e descoberta.

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