| Publicação: 3 de abril de 2006 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 296 |
| Peso: 0.249 kg |
| Dimensões: 17.8 x 12.6 x 1.8 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 8535908064 |
| ISBN-13: 9788535908060 |
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Comprar LivroO livro "A jangada de pedra" é um romance do escritor português e Prêmio Nobel de Literatura José Saramago (1922–2010).
Publicado em 1986, o livro é uma sátira e uma fantasia geopolítica que explora a identidade europeia e a união peninsular, contada no estilo inconfundível de Saramago.
A história é ambientada num futuro próximo (da época da escrita) e começa com uma série de eventos inexplicáveis:
O rasgo: a Península Ibérica (Espanha e Portugal) inexplicavelmente se separa do continente europeu por um rasgo no Pirinéus, começando a flutuar no Oceano Atlântico como uma jangada de pedra.
O movimento: a jangada, movendo-se erraticamente no oceano, primeiro se afasta em direção ao Atlântico Norte e, depois, de forma misteriosa, começa a girar para o Sul, em direção à América Latina.
A crise política: o evento causa uma crise internacional e geopolítica massiva. Os países europeus e as potências mundiais tentam freneticamente encontrar uma solução científica ou militar, mas o evento desafia toda a lógica conhecida.
Enquanto a Península flutua, a narrativa acompanha as jornadas de cinco personagens portugueses (e um cão) que estão misteriosamente ligados ao fenômeno.
Os sinais: cada um desses personagens experimentou um evento sobrenatural no momento da separação:
Joana Carda: traça uma linha inexplicável no chão com um ramo de amendoeira, que marca a linha de separação na terra.
Joaquim Sapa: experimenta uma chuva de pedras interminável.
Maria Guavaira: o cão, Cão, segue-a obstinadamente. Sim, o cão, Cão, é um personagem notável e com um papel simbólico no romance "A Jangada de Pedra" de José Saramago.
No estilo característico de Saramago, o cão não tem um nome próprio complexo; ele é simplesmente designado por sua espécie, mas grafado com a inicial maiúscula, Cão, conferindo-lhe uma condição de personagem único e central na narrativa.
José Anaiço e Pedro Orce: os outros dois personagens que se juntam a eles.
A jornada: esses cinco (mais o cão) viajam pela Península (que agora é uma ilha) na esperança de encontrar a causa da separação e, talvez, a solução para o problema. Eles se tornam, involuntariamente, a metáfora da união e da alma da Península.
O romance é uma grande sátira política e social de Saramago:
O isolamento: o afastamento da Península (da Europa) é uma metáfora para a identidade ibérica, que muitas vezes se sente à margem das grandes decisões europeias. A viagem para o Sul reflete uma afinidade histórica e cultural com a América Latina.
A inutilidade da ciência: a obra ridiculariza a burocracia, a política e a ciência ocidental, que se mostram totalmente incapazes de lidar com o evento mágico e irracional.
O Cão não é apenas um animal de estimação, mas sim um elo crucial entre os cinco personagens humanos e o próprio evento mágico da separação da Península Ibérica.
1. O sexto elemento da união
O Cão é um dos seis (cinco humanos e o animal) que experimentam um evento sobrenatural no momento exato em que a Península se separa:
A chuva de cinzas que o Cão tenta cavar é um dos sinais da ruptura cósmica, ligando-o diretamente ao mistério geológico.
Ele se junta ao grupo de personagens por livre e espontânea vontade, seguindo a personagem Maria Guavaira, e torna-se o elemento catalisador que une o grupo em sua jornada.
2. A alma da península
O Cão representa o instinto puro, a lealdade incondicional e a sabedoria não-racional—qualidades que, segundo Saramago, faltam aos líderes políticos e cientistas.
Enquanto os humanos tentam entender o evento com a lógica e a política, o Cão simplesmente sente o mistério e a anomalia. Ele é guiado por um instinto que os humanos perderam.
Saramago frequentemente usa animais em suas obras para comentar sobre a humanidade; o Cão é mais humano em sua lealdade e instinto do que muitas das figuras de autoridade ridicularizadas no livro.
3. O vínculo
O Cão é o elo do grupo em sua jornada errática pela "jangada". Sua presença garante que os personagens, muitas vezes confusos e perdidos, permaneçam conectados e sigam em frente. Ele confere uma dimensão de simplicidade e afeto à fábula geopolítica.
Portanto, Cão é mais do que um animal: é um símbolo da intuição e da essência da terra e da vida que se liberta das amarras da Europa e que guia os personagens em sua busca por um novo destino.