| Edição: 1ª |
| Publicação: 21 de novembro de 2007 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 232 |
| Peso: 0.32 kg |
| Dimensões: 20.8 x 13.6 x 1.4 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 8535911243 |
| ISBN-13: 9788535911244 |
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“Outras inquisições” (Otras inquisiciones), publicado em 1952, é considerado um dos livros de ensaios mais essenciais e brilhantes de Jorge Luis Borges, e frequentemente é comparado ao melhor de sua ficção pela profundidade e pelo estilo.
Esta coletânea é uma reunião de ensaios publicados em revistas e jornais argentinos entre 1936 e 1952. Longe de ser um compêndio acadêmico tradicional, o livro é uma miscelânea de digressões eruditas, irônicas e imaginativas sobre os temas mais caros ao pensamento ocidental.
A obra é marcada pela capacidade única de Borges de tratar de temas profundos com a leveza de um conto e a precisão de um tratado filosófico. Os ensaios são frequentemente pontuados por citações curiosas, referências a obras esquecidas e paradoxos:
A Natureza da Literatura: Borges questiona a ideia de originalidade e autoria. O famoso ensaio “Kafka e Seus Precursores” é o ponto alto, onde o autor postula que cada escritor notável cria seus próprios precursores, alterando como lemos o passado literário.
“O fato é que cada escritor cria a seus precursores. Seu labor modifica nossa concepção do passado, como há de modificar o futuro.”
O Tempo e o Infinito: Temas metafísicos como o tempo e o universo permeiam diversos textos. Em ensaios como “O Muro e os Livros” (La muralla y los libros), Borges funde história (a Muralha da China, a queima de livros) com reflexão estética, concluindo que a “iminência de uma revelação, que não se produz, é, talvez, o fato estético.” Essa tensão entre o que é dito e o que é sugerido é a marca do seu estilo.
A Identidade e a Filosofia: A busca pela essência do “eu” é constante, como em “A Nulidade da Personalidade” (La nadería de la personalidad). Borges desestabiliza conceitos filosóficos, muitas vezes sugerindo que a metafísica é apenas um “ramo da literatura fantástica”. Críticos veem essa postura irônica e paradoxal como um tipo de “patafísica” (a ciência das soluções imaginárias) borgeana.
A Releitura da História: O autor argentino demonstra sua paixão pelas culturas e línguas em textos que abordam as kenningar (metáforas nórdicas), a lenda de Coleridge e a Cabala, transformando a crítica literária em aventura intelectual.
Interconexão de gêneros: Os livros de Jorge Luis Borges costumam ser conhecidos por uma mistura de gêneros, e “Outras Inquisições” é um exemplo primário de sua maestria nesse campo, mas ele é categorizado principalmente como uma coletânea de ensaios.
A grande maioria dos textos em Outras inquisições são ensaios breves, eruditos, profundamente filosóficos e com grande rigor intelectual. Eles abordam temas como o tempo, a identidade, autores (Kafka, Coleridge) e conceitos filosóficos.
A linha entre ensaio e conto é extremamente tênue na obra de Borges, especialmente em livros como este e Discussão. Muitos de seus ensaios utilizam recursos da ficção, como a invenção de livros, autores e correntes de pensamento falsas (embora não no mesmo grau explícito de Ficções ou O Aleph). Por isso, alguns críticos os chamam de “ficções ensaísticas” ou “ensaios fantásticos”.
“Outras inquisições” é o livro que consolida Borges como o mestre do ensaio imaginativo. O que à primeira vista parece uma “miscelânea arbitrária” é, na verdade, uma estrutura complexa de simetrias secretas e referências cruzadas.
A obra não apenas informa, mas transforma a maneira como o leitor pensa sobre a literatura e a filosofia, fazendo-o sentir que está participando de um jogo intelectual de altíssimo nível. É leitura obrigatória para quem deseja desvendar a espinha dorsal intelectual por trás dos contos fantásticos de Ficções e O Aleph.
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