| Edição: 1ª |
| Publicação: 28 de abril de 2008 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 160 |
| Peso: 0.237 kg |
| Dimensões: 20.8 x 13.8 x 1.2 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 8535912029 |
| ISBN-13: 9788535912029 |
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Comprar Livro📘 O Aleph, de Jorge Luis Borges, é uma coletânea de contos publicada em 1949 que reúne algumas das obras mais emblemáticas do autor argentino. O livro explora temas como o infinito, a memória, o tempo, a identidade e o duplo, tudo com a erudição e o estilo labiríntico característicos de Borges. O volume reúne dezessete textos que funcionam como exercícios de imaginação filosófica, abordando temas como a imortalidade, a identidade difusa, o tempo cíclico e a natureza do destino.
O conto epônimo, "O Aleph", constitui o ponto de convergência da obra. Nele, o narrador, o próprio Borges (uma figura autobiográfica e, simultaneamente, ficcional), visita a casa da falecida amada, Beatriz Viterbo. Lá, ele descobre que o primo dela, Carlos Argentino Daneri — um poeta de vaidade e mediocridades épicas, guarda no porão um Aleph, um ponto no espaço que contém todos os outros pontos, permitindo ao observador ver o universo inteiro, simultaneamente e sem superposição de imagens. O conto é, essencialmente, a tentativa desesperada do narrador de descrever o indescritível, transformando o conceito místico e cosmológico em uma experiência de epifania e vertigem.
Outras narrativas notáveis incluem "O Imortal", uma meditação sobre a condição da vida eterna; "A Casa de Astérion", que subverte o mito do Minotauro; e "O Zahir", a obsessão por um objeto que gradualmente absorve a realidade de quem o possui.
O Aleph é frequentemente considerado uma das obras mais essenciais de Borges, um marco da literatura hispano-americana e um cânone da ficção metafísica do século XX.
A Metafísica Espacializada: A obra utiliza a invenção fantástica para espacializar ideias filosóficas. O Aleph e o Zahir, por exemplo, não são meros objetos mágicos; são materializações de conceitos da totalidade e da obsessão. Este procedimento confere à ficção borgeana sua característica singular: a capacidade de tornar palpável o abstrato.
Ironia e Intertextualidade: O estilo é marcado pela economia narrativa e pela ironia sutil. Em "O Aleph", a grandiosidade da visão cósmica é justaposta à mediocridade do poeta Daneri e ao ciúme mesquinho do narrador, criando uma tensão entre o sublime e o ridículo. A constante referência a fontes, mitos e textos apócrifos (intertextualidade) enriquece a profundidade da obra, transformando a leitura em uma experiência de desvendamento intelectual.
A (In)capacidade de Descrever: O conto principal aborda a crise da linguagem. O narrador é confrontado com a impossibilidade retórica de traduzir a experiência do absoluto para a forma linear da palavra humana. Essa luta metalinguística é o cerne do conto, onde Borges demonstra que a verdadeira arte reside na sugestão e no reconhecimento do limite da expressão.
O Aleph é um compêndio de labirintos intelectuais, onde cada conto é uma porta para um paradoxo filosófico, mantendo a característica prosa cristalina e a estrutura lógica impecável de Borges.