| Publicação: 6 de janeiro de 2009 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 504 |
| Peso: 0.43 kg |
| Dimensões: 17.8 x 12.4 x 2.6 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 8535913610 |
| ISBN-13: 9788535913613 |
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Comprar LivroO livro "A cultura do Renascimento na Itália" (original em alemão: Die Kultur der Renaissance in Italien) é uma obra clássica do historiador suíço Jacob Burckhardt (1818–1897).
Publicado em 1860, este ensaio é considerado o texto fundador dos estudos modernos sobre o Renascimento. Burckhardt foi o responsável por definir e popularizar a visão do Renascimento como uma era de ruptura e inovação, em contraste com a Idade Média.
O livro é um dos pilares da historiografia cultural. Burckhardt propõe que o Renascimento italiano foi o momento em que o indivíduo moderno emergiu, consciente de si e do mundo. Ele examina aspectos como o Estado, a sociedade, os costumes, a redescoberta da Antiguidade, a arte e a ciência, mostrando como esses elementos contribuíram para uma nova visão de humanidade.
Burckhardt não se limita à cronologia dos eventos, mas busca compreender o espírito da época, ou a “descoberta do homem e do mundo”. A obra influenciou gerações de historiadores e permanece relevante para quem deseja entender a profundidade cultural do Renascimento.
A tese de Burckhardt é que o Renascimento italiano marcou o despertar do indivíduo e o fim da mentalidade coletiva e teocêntrica da Idade Média:
O Indivíduo Descoberto: Ele argumenta que na Idade Média, o homem era consciente de si apenas como membro de um grupo (raça, partido, corporação, família). No Renascimento, particularmente na Itália, o homem tornou-se um indivíduo espiritual (uomo singolare), capaz de autoconsciência, autoexpressão e realização pessoal.
O Estado como Obra de Arte: Burckhardt analisou as cidades-estado italianas (como Florença e Milão) não como entidades morais ou religiosas, mas como criações políticas conscientes de homens de gênio. Os governantes eram artistas que moldavam o Estado por ambição e racionalidade.
A Descoberta do Mundo e do Homem: Esta "descoberta" deu-se em dois planos: a redescoberta da Antiguidade Clássica e o estudo da natureza e da condição humana. O ser humano, e não Deus, tornou-se a medida de todas as coisas (o Humanismo).
Foco Exclusivo: A obra foca quase exclusivamente na Itália, especialmente nas cidades de Florença, Veneza e Roma, negligenciando a transição humanista que ocorria em outras partes da Europa.
A Ruptura Drástica: A principal crítica moderna a Burckhardt (especialmente por historiadores como Johan Huizinga e Jacques Le Goff) é que ele traçou uma ruptura excessivamente drástica e simplista entre o "obscurantismo" medieval e o "esplendor" renascentista. A historiografia moderna vê a transição como mais gradual e complexa.
Apesar das críticas, o livro de Burckhardt continua a ser um ponto de partida essencial para entender como a sociedade e a arte do Renascimento foram percebidas e valorizadas na historiografia.