| Edição: 1ª |
| Publicação: 29 de outubro de 2010 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 712 |
| Peso: 0.930 kg |
| Dimensões: 22.8 x 15.6 x 3.6 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 8535917551 |
| ISBN-13: 9788535917550 |
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Comprar LivroO livro "Contos completos", de Lima Barreto (Afonso Henriques de Lima Barreto, 1881–1922), na edição da Companhia das Letras, é uma obra de referência que reúne a totalidade da produção do autor no gênero do conto.
Esta coletânea oferece uma visão panorâmica e aprofundada da crítica social, do humor amargo e da estética proto-modernista de um dos escritores mais importantes da literatura brasileira da Primeira República.
Lima Barreto foi um escritor afro-brasileiro, jornalista e cronista que viveu e escreveu no Rio de Janeiro (então capital federal) no início do século XX. Sua vida foi marcada pela solidão, o alcoolismo, as crises psiquiátricas e o preconceito racial e social que ele enfrentou, temas que ele destilou em sua ficção.
A edição da Companhia das Letras é particularmente valiosa por seu trabalho de pesquisa, que resgata contos dispersos em jornais e revistas da época, apresentando a obra na íntegra.
Os contos de Lima Barreto são peças curtas e mordazes que funcionam como crônicas da vida carioca, desvendando as contradições da sociedade da época:
Crítica social e racial: o tema central é a denúncia da hipocrisia e do preconceito da elite da Belle Époque carioca. O autor foca na marginalização do negro e do mestiço, na dificuldade de ascensão social e na opressão burocrática.
Os subúrbios: Lima Barreto é o grande cronista dos subúrbios do Rio de Janeiro (em oposição ao centro e à Zona Sul rica), onde moravam os funcionários públicos de baixo escalão, os pobres e a população mestiça. Ele dá voz e dignidade a essas vidas esquecidas.
Loucura e alienação: o autor, que passou por internamentos em hospitais psiquiátricos, explora frequentemente a linha tênue entre a sanidade e a loucura. Em muitos contos, o personagem "louco" é, na verdade, o único que enxerga a verdade sobre a sociedade alienada.
A burocracia: ele satiriza a inércia, a corrupção e o absurdo da máquina pública brasileira, frequentemente ridicularizando funcionários, políticos e a imprensa.
Os contos de Lima Barreto são marcados por um estilo que era radicalmente novo para a época, afastando-se do academicismo e do parnasianismo então dominantes:
Tom confessional e irônico: sua escrita é direta, fluida e recheada de ironia e um humor amargo.
Linguagem coloquial: o autor abraça a linguagem falada e o vocabulário popular, aproximando-se da voz do povo.
Projeto estético: a totalidade de seus contos revela um projeto estético voltado para o real, o cotidiano e o marginalizado, pavimentando o caminho para o Modernismo brasileiro que viria logo depois.