| Edição: 1ª |
| Publicação: 19 de janeiro de 2011 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 344 |
| Peso: 0.420 kg |
| Dimensões: 21 x 14.2 x 2.2 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 8535917853 |
| ISBN-13: 9788535917857 |
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Publicado postumamente, embora escrito no final da década de 1980, O Terceiro Reich revela um Roberto Bolaño já mestre na construção de atmosferas onde a banalidade do cotidiano é gradualmente infiltrada por um mal pressagiado e onipresente. A trama assume a forma do diário de Udo Berger, um jovem campeão alemão de wargames (jogos de estratégia militar) que viaja com sua namorada, Ingeborg, para a Costa Brava, na Espanha. O que deveria ser uma estada de veraneio transforma-se em uma descida claustrofóbica ao abismo psicológico, à medida que Udo se isola em seu quarto de hotel para jogar uma partida interminável de Third Reich, um jogo que simula as campanhas da Segunda Guerra Mundial.
A estratégia narrativa de Bolaño utiliza o jogo de tabuleiro como um espelho deformante da realidade histórica e pessoal. Udo é o protótipo do técnico indiferente, um homem cuja paixão pelas táticas da Wehrmacht o cega para as tensões reais que fervilham ao seu redor: o desaparecimento de seu amigo Charly, a presença inquietante de figuras marginais como “O Lobo” e “O Cordeiro”, e a figura enigmática de El Quemado, um sobrevivente de queimaduras terríveis que trabalha na praia. A obsessão de Udo em “corrigir” os erros de estratégia do exército nazista no tabuleiro serve como uma metáfora perturbadora para a tentativa de controlar o caos e a violência através da abstração, ignorando que o horror não é uma simulação, mas uma força tangível que o espreita nos corredores do hotel.
O clímax do romance desdobra-se no confronto intelectual entre Udo e El Quemado. O jogo de tabuleiro torna-se um duelo metafísico de vida ou morte, onde as peças de plástico e os mapas de papel ganham um peso existencial insuportável. El Quemado, com seu corpo marcado pela dor real, representa a vítima histórica que confronta o teórico alemão, exigindo que o jogo seja levado até as suas últimas consequências. Bolaño articula aqui uma crítica contundente à higienização da história: enquanto Udo vê a guerra como uma série de variáveis lógicas, a realidade impõe-se através da memória das feridas e do ressentimento.
“Um dos maiores escritores contemporâneos.” - The New York Times
A escrita de Bolaño neste livro já exibe a sua característica “estranheza”, onde o sol do Mediterrâneo não traz claridade, mas sombras longas e ameaçadoras. A tensão crescente sugere que a derrota alemã no tabuleiro é uma necessidade moral, mas a obsessão de Udo por uma possível vitória alternativa revela as raízes de um mal que nunca foi totalmente erradicado, apenas transposto para novas formas de entretenimento e alienação. O Terceiro Reich é uma exploração do passado traumático da Europa e a contínua assombração do presente, oculta sob a fachada das férias burguesas e da ordem geométrica dos jogos de guerra.
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