| Edição: 1ª |
| Publicação: 04 de março de 2012 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 144 |
| Dimensões: 20.8 x 13.6 x 1 cm |
| Formato: Brochura / Capa comum |
| ISBN-10: 8535920595 |
| ISBN-13: 9788535920598 |
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Publicado em 1951, Claro Enigma marca uma virada na obra de Carlos Drummond de Andrade, afastando-se do tom mais coloquial e social de seus livros anteriores para mergulhar numa poesia existencial, filosófica e metafísica. Composto por 42 poemas divididos em seis partes — “Entre lobo e cão”, “O tempo e o cão”, “Suíte”, “A máquina do mundo”, “Os bens da vida” e “Menino antigo” — o livro revela um poeta em busca de sentido diante da finitude, da incomunicabilidade e da crise dos valores modernos.
A linguagem torna-se mais austera, reflexiva e clássica, com versos que exploram o silêncio, o vazio e a impossibilidade de compreender plenamente o mundo. O poema “A máquina do mundo”, um dos mais célebres da literatura brasileira, sintetiza essa tensão: o eu lírico recusa o conhecimento total oferecido pela máquina, preferindo seguir seu caminho solitário e incerto. A recusa da revelação é, paradoxalmente, um gesto de liberdade.
Em Claro Enigma, Drummond dialoga com a tradição filosófica ocidental — especialmente com o existencialismo — e com a poesia metafísica de autores como T.S. Eliot e Paul Valéry. Ao mesmo tempo, há espaço para a memória afetiva, como em “Menino antigo”, onde o poeta revisita a infância com melancolia e delicadeza.
O título do livro já anuncia sua ambiguidade: o “claro” não é transparência, mas sim a luz que revela o enigma, sem o resolver. É uma obra que convida à leitura lenta, à escuta interior e à contemplação do mistério da existência.
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