| Edição: 1ª |
| Publicação: 10 de abril de 2012 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 96 |
| Peso: 0.150 kg |
| Dimensões: 14 x 0.9 x 21 cm |
| Formato: Capa comum / Brochura |
| ISBN-10: 8535920722 |
| ISBN-13: 9788535920727 |
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Publicada originalmente em 1935, História universal da infâmia marca a incursão seminal de Jorge Luis Borges no domínio da prosa narrativa. Esta coletânea não é uma obra de ficção convencional, mas sim um conjunto de biografias apócrifas e ensaios ficcionais que orbitam a ideia de perversidade humana e destino.
Borges constrói retratos sucintos e intensos de figuras históricas e lendárias notórias por seus atos de crueldade, astúcia ou desonra. Entre os infames, encontram-se piratas, impostores, gangsters, e traidores cujas vidas são recontadas pelo autor com uma prosa que mescla a exatidão histórica (frequentemente falseada) com a fabulação.
As narrativas, inicialmente publicadas em jornais, baseiam-se em fontes diversas, desde crônicas obscuras até anotações de rodapé, que Borges deliberadamente torce e estiliza. O conto que inaugura o livro, “O Atroz Redentor Lázarus Morel”, exemplifica essa técnica ao recontar a história de um traficante de escravos com tinturas de filantropia cínica. O volume é complementado por textos curtos que exploram temas como a magia, o cinema e as lendas orientais.
História Universal da Infâmia é fundamental na trajetória borgeana por estabelecer o método de fabulação documental que o autor aperfeiçoaria em obras posteriores.
1. Gênero e Estilo: A obra reside em um espaço híbrido, entre a crônica histórica e o conto fantástico. Borges emprega um estilo que ele próprio classificaria retrospectivamente como “barroco”: uma prosa que se exibe e delapida seus recursos, repleta de referências eruditas e um tom deliberadamente enfático. É uma retórica da exagerada precisão.
2. O Tema da Infâmia: O livro opera como uma reductio ad absurdum da história como registro de grandes feitos. Ao focar na “infâmia”, o oposto do heroísmo, Borges questiona a moralidade subjacente aos eventos históricos e à própria construção da memória coletiva. Os vilões são elevados a figuras arquetípicas, quase mitológicas.
3. A Metaficção Inaugural: A técnica de citar fontes inexistentes ou distorcidas (“glosadas de outros autores”), característica desta obra, é um dos primeiros sinais da metaficção em Borges. O autor assume o papel de um falsificador literário, demonstrando que a história é, em última instância, uma construção textual passível de manipulação e embelezamento estilístico. A veracidade dos fatos é substituída pela eficácia estética do relato.
Em resumo, a coletânea não é uma mera galeria de bandidos, criminosos, impostores, piratas e falsários, personagens reais ou fictícios que desafiaram normas sociais e morais. A obra é um laboratório estilístico e conceitual onde Borges ensaia a fusão de erudição e imaginação que definiria sua estilo inconfundível e sua consagrada maestria.
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