A queda do céu

Edição:
Publicação: 20 de agosto de 2015
Idioma: Português
Páginas: 768
Peso: 0.800 kg
Dimensões: 23 x 16 x 3.8 cm
Formato: Capa comum
ISBN-10: 8535926208
ISBN-13: 9788535926200

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A queda do céu - Davi Kopenawa e Bruce Albert

Publicado originalmente em 2010, A queda do céu é fruto da colaboração entre Davi Kopenawa, xamã e líder Yanomami, e o antropólogo francês Bruce Albert. O livro é uma extensa narrativa que combina testemunho pessoal, reflexão filosófica e denúncia política. Nele, Kopenawa expõe a cosmovisão Yanomami, descrevendo o papel dos xamãs, a relação espiritual com a floresta e os seres que a habitam, além de relatar os impactos devastadores da invasão de garimpeiros, da destruição ambiental e das doenças trazidas pelo contato com a sociedade não indígena. A obra é, ao mesmo tempo, autobiografia, manifesto e tratado cosmológico, oferecendo ao leitor uma visão única sobre o mundo indígena e sobre os riscos que ameaçam sua continuidade.

A queda do céu é uma obra que transcende os limites da etnografia e da literatura. Ao narrar sua trajetória e a história de seu povo, Davi Kopenawa afirma a centralidade da floresta como espaço vital e espiritual, contrapondo-a ao modelo de exploração predatória imposto pela sociedade ocidental. O “céu” do título é metáfora da ordem cósmica que sustenta a vida; sua “queda” representa a ameaça iminente provocada pela destruição ambiental e pela ganância humana.

O estilo da obra é singular: a voz de Kopenawa, marcada pela oralidade e pela força poética, é preservada e traduzida por Bruce Albert, que atua como mediador sem apagar a potência do discurso indígena. O resultado é um texto que combina lirismo, denúncia e reflexão filosófica, revelando a profundidade da cosmologia Yanomami e sua crítica radical à modernidade.

A narrativa é também política, pois denuncia o genocídio silencioso sofrido pelos povos indígenas, a devastação da Amazônia e a indiferença das autoridades. Ao mesmo tempo, é espiritual, ao apresentar o papel dos xamãs como guardiões do equilíbrio entre humanos, espíritos e natureza. Essa dupla dimensão — denúncia e revelação — confere ao livro uma força rara, capaz de sensibilizar tanto o leitor acadêmico quanto o público geral.

A queda do céu é, portanto, obra de resistência e de sabedoria ancestral. Sua leitura é um convite à escuta, à descolonização do olhar e à reflexão sobre os caminhos da humanidade diante da crise ambiental e civilizatória.

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