| Edição: 1ª |
| Publicação: 23 de outubro de 2015 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 200 |
| Peso: 0.337 kg |
| Dimensões: 23.4 x 16.2 x 1.8 cm |
| Formato: Capa dura |
| ISBN-10: 8535926453 |
| ISBN-13: 9788535926453 |
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Publicadas em momentos distintos da maturidade de Thomas Mann, estas duas novelas formam um díptico fundamental para a compreensão da tensão entre o artista e a vida burguesa. Em A morte em Veneza (1912), acompanhamos a derrocada de Gustav von Aschenbach, um escritor que erigiu sua carreira sobre os pilares da disciplina e da retidão moral. A narrativa desdobra-se em uma Veneza estagnada e fétida, onde a busca do autor pela beleza absoluta transfigura-se em uma obsessão paralisante pelo jovem Tadzio. A prosa de Mann captura com precisão o momento em que o intelecto sucumbe à pulsão; a cidade, assolada por uma epidemia de cólera silenciada pelas autoridades, torna-se a metáfora perfeita para a corrupção interna de um homem que, ao perseguir o ideal estético, acaba por abraçar a própria aniquilação.
Diferente da trajetória trágica de Aschenbach, Tonio Kröger (1903) apresenta uma exploração lírica e nostálgica sobre a inadequação do artista no mundo prático. Tonio, um jovem de sangue misto, herdeiro da seriedade nórdica do pai e da paixão latina da mãe, vive em um estado de exílio espiritual permanente. Ele é o “estrangeiro” que observa com melancolia a vitalidade loira e despreocupada de Hans Hansen e Ingeborg Holm, figuras que representam a normalidade burguesa que ele, por sua natureza reflexiva, jamais poderá habitar. A estratégia de Mann nesta obra é menos sombria; ela reside na aceitação de que o artista é um ser que “está entre dois mundos”, carregando o fardo da consciência como um obstáculo para a felicidade comum, mas transformando esse mesmo sofrimento na matéria-prima de sua arte.
A conexão entre ambas as obras estabelece um panorama completo da ética manniana: se Tonio Kröger busca uma reconciliação possível, ainda que melancólica, com a vida, Aschenbach representa o perigo de se distanciar excessivamente dela em favor da forma pura. Em Veneza, o mar e o sol não são elementos de cura, mas catalisadores de uma febre que desintegra a máscara social do escritor consagrado. O autor utiliza o cenário veneziano como um labirinto de espelhos onde a dignidade de uma vida inteira de trabalho é sacrificada por um olhar. A transformação física de Aschenbach, que recorre a cosméticos para simular uma juventude que já não possui, sublinha a patologia de um desejo que se recusa a aceitar a finitude e a realidade biológica da morte.
Em contrapartida, a viagem de Tonio de volta às suas origens no norte revela uma resolução mais equilibrada da identidade. Ele compreende que seu amor pelos “loiros e de olhos azuis”, os seres que vivem sem a necessidade da arte, é o que mantém sua obra humana e evita que ele se torne um técnico frio das letras. Enquanto a morte de Aschenbach em frente ao oceano sela o fracasso de uma vida dedicada à abstração da beleza, a confissão final de Tonio sobre seu “amor burguês” pela vida sugere uma integração. Mann demonstra nestas páginas que o destino do artista é invariavelmente marcado pela solidão, mas que o caminho escolhido, seja a entrega absoluta aos sentidos ou o equilíbrio precário da observação, determina se essa jornada culminará em redenção ou em tragédia.
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