| Edição: 1ª |
| Publicação: 23 de outubro de 2015 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 624 |
| Peso: 0.860 kg |
| Dimensões: 23.4 x 16 x 4 cm |
| Formato: Capa dura |
| ISBN-10: 8535926488 |
| ISBN-13: 9788535926484 |
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Concebido em meio aos escombros da Segunda Guerra Mundial, Doutor Fausto representa o testamento literário e intelectual mais denso de Thomas Mann, onde a figura mítica de Fausto é transposta para o século XX na pele de Adrian Leverkühn, um compositor de vanguarda. A narrativa é conduzida pela voz sóbria e humanista de Serenus Zeitblom, amigo de infância de Adrian, que escreve a biografia do músico enquanto a Alemanha nazista caminha para a aniquilação. A intersecção entre a biografia individual de Leverkühn e o colapso coletivo da nação alemã constitui a espinha dorsal da obra, estabelecendo uma analogia sombria entre a busca pela transcendência artística absoluta e a queda de uma civilização no abismo da barbárie.
Adrian Leverkühn, movido por um orgulho intelectual gélido e pela consciência de que a música tradicional esgotou suas possibilidades expressivas, busca uma nova ordem criativa. Em uma cena central e alucinatória, Adrian trava um diálogo com uma entidade diabólica, firmando um pacto de sangue: em troca de vinte e quatro anos de genialidade musical sem precedentes e da criação de um novo sistema harmônico — inspirado no dodecafonismo de Schoenberg —, o compositor renuncia ao amor humano e ao calor dos afetos. A obra sugere que a inovação radical e a ruptura com o passado exigem uma frieza espiritual que beira o inumano, transformando a criação artística em um ato de arrogância metafísica que exige o sacrifício da própria alma.
O desenvolvimento da trama acompanha a composição das obras monumentais de Leverkühn, como o oratório Apocalypsis cum Figuris e, finalmente, sua peça derradeira, A lamentação do Doutor Fausto. Esta última obra é descrita como uma reversão deliberada da Nona Sinfonia de Beethoven; onde esta proclamava a fraternidade e a alegria, a de Adrian retira o “Hino à Alegria”, substituindo-o por um lamento abissal e solitário. A técnica narrativa de Mann utiliza a música como um sistema de símbolos para debater o destino da cultura germânica, fundindo teologia, matemática e estética em uma crítica contundente ao irracionalismo que permitiu a ascensão do Terceiro Reich.
O colapso físico e mental de Adrian, marcado pela sífilis contraída voluntariamente no início de sua jornada, espelha o bombardeio das cidades alemãs relatado por Zeitblom. A loucura final do compositor, que se manifesta durante a apresentação de sua última obra para um grupo de amigos horrorizados, sela o destino trágico do gênio que tentou superar os limites humanos por meio de um isolamento estéril. Doutor Fausto é uma meditação profunda sobre a ambivalência da arte: o poder de elevar o espírito ao sublime e, simultaneamente, o perigo de flertar com forças destrutivas que desintegram a empatia e a moralidade comum.
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