| Edição: 1ª |
| Publicação: 22 de março de 2016 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 712 |
| Peso: 0.800 kg |
| Dimensões: 23.6 x 16.4 x 4.6 cm |
| Formato: Capa dura |
| ISBN-10: 8535926917 |
| ISBN-13: 9788535926910 |
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Publicado em 1901, quando Thomas Mann contava apenas vinte e cinco anos, este romance monumental estabeleceu os alicerces da saga familiar moderna ao traçar a trajetória de quatro gerações de uma dinastia de comerciantes em Lübeck. A narrativa desdobra-se entre 1835 e 1877, funcionando como um laboratório sociológico que observa o lento e inexorável processo de atrofia de uma linhagem. O que se inicia como uma celebração da solidez comercial e da probidade luterana transmuta-se, ao longo das décadas, em uma fragilidade nervosa e artística. Mann articula a ideia de que o refinamento intelectual e a sensibilidade estética agem como agentes corrosivos da vitalidade prática necessária para a sobrevivência no mundo dos negócios.
O patriarca Johann Buddenbrook representa a era da integridade jovial, onde o lucro era uma consequência natural da virtude. Contudo, seus sucessores enfrentam o peso de uma tradição que já não se sustenta frente às mudanças políticas da unificação alemã. Jean Buddenbrook introduz uma nota de religiosidade ansiosa, enquanto a geração seguinte, protagonizada por Thomas, Tony e Christian, manifesta as primeiras fissuras graves na fachada familiar. Thomas Buddenbrook, o senador que tenta desesperadamente manter a aparência de sucesso, personifica a tragédia do esforço consciente contra a decadência biológica, recorrendo à filosofia de Schopenhauer para encontrar um consolo metafísico diante do colapso de seu império comercial.
A personagem Tony Buddenbrook atua como o fio condutor da resiliência e da ingenuidade da família, cujos casamentos fracassados servem como marcos da perda de prestígio e capital da casa. Em contrapartida, Christian Buddenbrook simboliza a dissipação e a hipocondria, um indivíduo incapaz de se submeter à disciplina burguesa, preferindo o mundo anedótico do teatro e dos clubes. A tensão entre o “viver para o mundo” e o “viver para si” alcança seu paroxismo na figura do pequeno Hanno, o último rebento da linhagem. Hanno é a personificação final da decadência: uma criança dotada de um talento musical prodigioso, mas desprovida de qualquer instinto de preservação física, para quem a música de Wagner funciona como um hino de despedida da vida.
A arquitetura verbal da obra utiliza o detalhismo realista para conferir peso histórico à narrativa, transformando objetos domésticos e rituais sociais em símbolos da iminente ruína. A morte de cada membro da família é descrita com uma sobriedade que ressalta a indiferença do tempo histórico perante o sofrimento individual. Mann demonstra que a ascensão do espírito e da cultura ocorre em detrimento da força vital; quanto mais os Buddenbrook se tornam conscientes e sofisticados, menos aptos estão para a luta pela existência. O silêncio que se abate sobre a mansão da Mengstrasse ao final do relato é a conclusão lógica de um destino que trocou a solidez do trigo e da prata pela efemeridade da melodia e do pensamento.
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