| Edição: 1ª |
| Publicação: 28 de junho de 2016 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 288 |
| Peso: 0.350 kg |
| Dimensões: 20.8 x 13.8 x 1.4 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 8535927565 |
| ISBN-13: 9788535927566 |
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Comprar LivroNesta edição que reúne a produção integral de Murilo Rubião, o leitor adentra o universo daquele que é considerado o precursor do realismo fantástico na literatura brasileira. Antecedendo em décadas o "boom" latino-americano de Gabriel García Márquez e dialogando de forma singular com a herança de Franz Kafka, Rubião construiu uma obra concisa, porém de uma densidade metafísica avassaladora. Com uma linguagem culta, de um purismo vocabular que contrasta com a natureza insólita de seus temas, o autor mineiro subverte as leis da lógica e da biologia para investigar a condição humana sob o peso da culpa, do desejo e da burocracia sufocante.
Os contos de Rubião são povoados por seres em constante mutação e situações que desafiam a sanidade do cotidiano. Em peças antológicas como "O pirotécnico Zacarias" ou "O ex-mágico da Taberna Minhoca", a morte não é um fim estanque e a magia é uma maldição rotineira. O autor detalha a trajetória de personagens que lidam com dragões no jardim, coelhos que proliferam de forma bíblica ou cidades que mudam de lugar, sempre utilizando o fantástico não como um escape, mas como uma lupa que amplia as angústias da existência urbana e moderna. A narrativa rubiana é marcada por uma circularidade opressiva, onde o destino parece estar selado por uma vontade superior e incompreensível, muitas vezes de caráter administrativo ou burocrático.
Um elemento distintivo da obra completa de Murilo Rubião é o uso sistemático de epígrafes bíblicas que antecedem cada conto. Esse recurso não é meramente decorativo; ele estabelece um diálogo irônico ou trágico com o texto, conferindo uma dimensão de "parábola profana" às suas histórias. O autor, que revisava seus textos obsessivamente ao longo de décadas, atingiu um rigor formal onde cada palavra ocupa um lugar estratégico na construção do estranhamento. Ao concluir a leitura de sua produção reunida, percebe-se que Rubião não buscava o fantástico pelo mero prazer do maravilhoso, mas sim para denunciar a solidão irremediável do indivíduo e a natureza arbitrária do poder e das relações sociais.