| Edição: 1ª |
| Publicação: 07 de novembro de 2016 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 184 |
| Peso: 0.27 kg |
| Dimensões: 21 x 14 x 1.6 cm |
| Formato: Brochura / Capa comum |
| ISBN-10: 8535928324 |
| ISBN-13: 9788535928327 |
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Comprar LivroO Tribunal da quinta-feira, de Michel Laub, publicado pela Companhia das Letras em 2016, é um romance que mergulha nas tensões entre intimidade, exposição pública e julgamento moral na era digital.
José Victor, jornalista e professor universitário, vê sua vida virar do avesso após um e-mail íntimo enviado a um amigo ser divulgado sem seu consentimento. O conteúdo — uma opinião sobre um colega soropositivo — desencadeia uma onda de indignação pública, levando José a enfrentar um “tribunal moral” informal nas redes sociais. A partir desse episódio, o romance se desdobra em reflexões sobre amizade, culpa, privacidade e os limites da linguagem em tempos de vigilância e cancelamento.
O Tribunal da quinta-feira é uma obra aguda e atual, que antecipa discussões sobre cultura do cancelamento, linchamento virtual e os dilemas éticos da comunicação digital. Michel Laub constrói uma narrativa em primeira pessoa, marcada por ambiguidade e tensão, onde o protagonista tenta justificar, entender e sobreviver ao impacto de um erro íntimo tornado público.
O romance não oferece respostas fáceis. José Victor é um personagem complexo, que oscila entre arrependimento e ressentimento, entre empatia e autodefesa. Laub explora com precisão os efeitos da exposição pública sobre a subjetividade, revelando como a linguagem — mesmo em sua forma privada — pode se tornar arma, prova e sentença.
A escrita é direta, elegante e cortante. Laub utiliza o episódio do e-mail como ponto de partida para discutir temas como HIV, preconceito, masculinidade, amizade e reputação. O título remete ao dia em que o protagonista é confrontado por colegas e amigos, mas também evoca a ideia de julgamento informal, sem direito à defesa.
O Tribunal da quinta-feira é um romance sobre os riscos da comunicação, sobre o poder destrutivo da opinião e sobre como a intimidade pode ser violada em nome da moral pública. Uma obra que permanece atual e necessária.