| Edição: 1ª |
| Publicação: 20 de julho de 2017 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 308 |
| Peso: 0.8 kg |
| Dimensões: 22.86 x 16 x 1.78 cm |
| Formato: Brochura / Capa comum |
| ISBN-10: 8535929509 |
| ISBN-13: 9788535929508 |
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Comprar LivroReunidos em uma edição com notas e documentos inéditos, Diário do Hospício e O Cemitério dos Vivos são dois textos profundamente comoventes e reveladores da experiência de Lima Barreto com a loucura, o preconceito e a exclusão social. Escritos durante e após sua internação no Hospício Nacional de Alienados, em 1919, essas obras misturam memória, crítica social e ficção para denunciar o tratamento desumano dado aos pacientes psiquiátricos e refletir sobre os limites da sanidade em uma sociedade adoecida.
Escrito durante sua internação no Hospício Nacional de Alienados, em 1919, este diário é um documento autobiográfico de rara franqueza. Lima Barreto registra, dia após dia, os absurdos da instituição, os abusos cometidos por médicos e funcionários, e a dor silenciosa dos internos. Com olhar crítico e sensível, ele denuncia o descaso com os pacientes, a medicação excessiva e o caráter punitivo do tratamento psiquiátrico da época. Ao mesmo tempo, o texto revela sua luta para manter a lucidez, a dignidade e a capacidade de observar — mesmo quando tudo ao redor parece conspirar contra sua sanidade. É um testemunho cru e comovente, que transforma o sofrimento em literatura e resistência.
Idealizado durante e após a internação, este romance inacabado é uma obra de ficção inspirada diretamente na vivência do hospício. Aqui, Lima Barreto constrói personagens que encarnam os dramas da exclusão, da perda de identidade e da marginalização social. O protagonista, como o próprio autor, é um homem culto e sensível que se vê aprisionado em um sistema que não compreende sua dor — apenas a rotula. A narrativa é fragmentada, reflexiva e profundamente simbólica, revelando o manicômio como um espaço de morte simbólica, onde os vivos são tratados como cadáveres sociais. O título, O Cemitério dos Vivos, é uma metáfora poderosa para o apagamento da subjetividade e da humanidade dos internados.
Ambos os textos se entrelaçam — o memorialismo invade o ficcional, e a ficção se nutre da experiência real — compondo um retrato pungente da alma humana em sofrimento. Escrever, para Lima Barreto, era uma forma de não enlouquecer. E ao nos apresentar esse “espetáculo da loucura”, ele reafirma seu talento e sua coragem como um dos maiores cronistas da dor e da dignidade no Brasil.