| Edição: 1ª |
| Publicação: 4 de setembro de 2020 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 608 |
| Peso: 0.800 kg |
| Dimensões: 22.8 x 15.6 x 3.4 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 8535932461 |
| ISBN-13: 9788535932461 |
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Comprar LivroPublicado em 1859, Oblómov é um dos romances mais emblemáticos da literatura russa do século XIX, em que Ivan Gontcharóv constrói a figura de Ilía Ilitch Oblómov, um homem cuja vida é marcada pela apatia, pela indecisão e pela incapacidade de agir. O protagonista, herdeiro de uma pequena propriedade rural, passa seus dias em Moscou, entregue à inércia, ao devaneio e ao conforto de sua casa, evitando qualquer esforço ou responsabilidade. A narrativa, ao mesmo tempo cômica e melancólica, revela a crítica do autor à estagnação social e cultural da Rússia de sua época, transformando Oblómov em símbolo universal da preguiça e da paralisia existencial.
Oblómov é um romance que se distingue pela profundidade psicológica e pela ironia sutil. Gontcharóv constrói seu protagonista como uma figura paradoxal: ao mesmo tempo simpático e irritante, lúcido e incapaz de agir. A famosa cena inicial, em que Oblómov permanece deitado em sua cama, já anuncia o tom da obra: a vida como espera interminável, como adiamento constante.
O contraste entre Oblómov e Andréi Stolz, seu amigo ativo e pragmático, intensifica a crítica social do romance. Stolz representa o dinamismo e a modernidade, enquanto Oblómov encarna a passividade e o apego ao passado. Essa oposição não é apenas individual, mas simbólica: ela reflete a tensão entre uma Rússia que se imobiliza em tradições e uma Rússia que busca se abrir ao progresso.
O estilo de Gontcharóv é marcado por descrições minuciosas e por uma cadência narrativa que acompanha o ritmo lento da vida de seu protagonista. Essa escolha estilística, longe de ser um defeito, confere ao romance uma autenticidade singular: o leitor experimenta a mesma sensação de estagnação que domina Oblómov. Ao mesmo tempo, há momentos de lirismo e de humor que tornam a leitura envolvente e reveladora.
O romance transcende a crítica social e se torna reflexão sobre a condição humana. Oblómov não é apenas um personagem russo do século XIX: ele é metáfora da inércia que habita todos os homens, da dificuldade de transformar desejo em ação, da tentação de permanecer na segurança do sonho em vez de enfrentar a dureza da realidade.
Por isso, Oblómov permanece atual. Sua figura continua a nos interpelar, lembrando-nos da fragilidade da vontade e da necessidade de confrontar a vida com coragem e movimento.