| Edição: 1ª |
| Publicação: 9 de agosto de 2019 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 224 |
| Peso: 0.300 kg |
| Dimensões: 20.8 x 13.6 x 1.2 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 8535932607 |
| ISBN-13: 9788535932607 |
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Comprar LivroPublicado em 1959, A fúria: e outros contos é considerado o livro mais representativo da escritora argentina Silvina Ocampo, autora que se destacou pela singularidade de sua imaginação e pela capacidade de explorar o insólito no cotidiano. A coletânea reúne trinta e quatro narrativas breves que transitam entre o real e o fantástico, revelando personagens comuns em situações perturbadoras, atravessadas por crueldades sutis, vinganças inesperadas e atmosferas de estranheza.
Ocampo constrói um universo literário em que a infância, os sonhos e os presságios se entrelaçam com a violência e a perversão. Seus contos, delicados e inquietantes, revelam uma escrita que desafia convenções, aproximando-se da tradição fantástica latino-americana, mas com uma voz própria, marcada por ironia e lirismo.
A fúria: e outros contos é uma obra que reafirma a posição de Silvina Ocampo como uma das vozes mais originais da literatura argentina do século XX. Diferente de seus contemporâneos, como Borges e Bioy Casares, Ocampo não busca apenas o jogo intelectual ou a construção de mundos fantásticos elaborados; sua força está na capacidade de revelar o insólito no banal, de transformar pequenas situações em experiências inquietantes.
A escrita é precisa, econômica e carregada de imagens que oscilam entre o poético e o grotesco. Ocampo explora a ambiguidade da infância, mostrando como a inocência pode se converter em crueldade, e como o olhar infantil revela fissuras na ordem social e familiar. Há também uma constante presença do feminino, não como idealização, mas como espaço de conflito e transgressão.
“Eu não conheço outro escritor que capture melhor a magia dos rituais cotidianos, o rosto proibido ou oculto que nossos espelhos não nos mostram.” ― Italo Calvino
O livro é marcado por uma tensão entre beleza e violência, entre o cotidiano e o sobrenatural. Essa combinação confere aos contos uma atmosfera única, em que o leitor é levado a experimentar tanto fascínio quanto desconforto. Jorge Luis Borges, amigo e admirador da autora, descreveu sua obra como dotada de um “estranho amor por certa crueldade inocente e oblíqua”, definição que sintetiza bem o espírito desta coletânea.
“Nos seus contos há algo que não consigo compreender: um estranho amor por certa crueldade inocente e oblíqua” ― Jorge Luis Borges
A fúria é um marco da literatura fantástica e insólita latino-americana, revelando uma autora que soube transformar o breve conto em espaço de experimentação estética e psicológica.