| Edição: 11ª |
| Publicação: 8 de janeiro de 2024 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 240 |
| Peso: 0.300 kg |
| Dimensões: 14 x 1.4 x 21 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 8535936491 |
| ISBN-13: 9788535936490 |
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Comprar LivroPublicado em 1980, O centauro no jardim é uma das obras mais emblemáticas de Moacyr Scliar, escritor gaúcho cuja produção se caracteriza pela fusão entre realismo e fantasia, permeada por uma reflexão aguda sobre identidade, alteridade e pertencimento. O romance narra a vida de Guedali, um centauro nascido em uma família judia no interior do Rio Grande do Sul. Desde o nascimento, sua condição híbrida o coloca em permanente conflito com o mundo ao redor: é simultaneamente humano e animal, sujeito e objeto, aceito e rejeitado. A narrativa acompanha sua trajetória marcada por deslocamentos, viagens e tentativas de integração, revelando o drama existencial de quem busca, incessantemente, um lugar no mundo.
Moacyr Scliar constrói uma obra de densidade simbólica, em que o mito se entrelaça com a realidade cotidiana. O centauro, figura ancestral da mitologia grega, é transposto para o cenário rural brasileiro, criando um contraste que intensifica o estranhamento e, ao mesmo tempo, universaliza a experiência de exclusão. Guedali é metáfora viva da condição humana: dividido entre instintos e razão, entre raízes e liberdade, entre o desejo de ser aceito e a impossibilidade de negar sua essência.
O estilo de Scliar é marcado por uma prosa clara, mas impregnada de lirismo e ironia. O autor não se limita a narrar a vida de um ser fantástico; ele explora, com sutileza, os dilemas da identidade judaica, a experiência da imigração e o sentimento de deslocamento cultural. A obra dialoga com a tradição do realismo mágico latino-americano, mas mantém uma singularidade própria, ao inserir o mito em um contexto profundamente brasileiro e ao utilizar o humor como contraponto à melancolia.
A narrativa se desdobra em episódios que revelam tanto o absurdo quanto a ternura da existência de Guedali. Sua busca por normalidade — inclusive por meio de uma cirurgia que poderia torná-lo “apenas humano” — expõe a tensão entre a aceitação de si e a pressão social pela conformidade. O jardim, espaço simbólico do título, é metáfora do lugar idealizado onde o ser híbrido poderia finalmente repousar, mas que permanece sempre distante, como promessa inalcançável.
O centauro no jardim transcende a fábula e se afirma como reflexão filosófica e literária sobre a condição humana, sobre a diferença e sobre o eterno desejo de pertencimento.