Leviatã - Auster, Paul

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Edição:
Publicação: 23 de junho de 2026
Idioma: Português
Páginas: 320
Peso: 0.390 kg
Dimensões: 14 x 1.8 x 21 cm
Formato: Capa comum / Brochura
ISBN-10: 8535938745
ISBN-13: 9788535938746

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Leviatã - Paul Auster

O romance como espelho da fragmentação

“Leviatã”, publicado em 1992, é um dos romances mais instigantes de Paul Auster, em que a narrativa se constrói como investigação e reflexão sobre identidade, política e literatura. O livro acompanha a trajetória de Benjamin Sachs, escritor e ativista que, após uma série de acontecimentos, se transforma em figura enigmática e radical. Auster, fiel ao seu estilo, entrelaça a vida de Sachs com a do narrador, criando uma trama em que realidade e ficção se confundem, e em que o romance se torna também uma meditação sobre o papel do escritor na sociedade contemporânea.

Auster e o jogo da narrativa

Auster é mestre em construir narrativas que se dobram sobre si mesmas, e “Leviatã” é exemplo claro dessa técnica. O narrador, amigo de Sachs, reconstrói sua história a partir de fragmentos, lembranças e documentos, compondo um mosaico que nunca se fecha completamente. Essa estrutura fragmentária reflete a própria condição humana: somos feitos de pedaços, de versões, de memórias que se contradizem. O romance é, assim, tanto relato quanto reflexão sobre o ato de narrar.

A política e o indivíduo

“Leviatã” é também um romance político, mas não no sentido panfletário. Auster examina como o indivíduo se relaciona com o poder, com a violência e com a utopia. Sachs, ao se radicalizar, torna-se símbolo da tensão entre idealismo e destruição, entre desejo de transformação e impossibilidade de mudança. O romance expõe a fragilidade das convicções e a ambiguidade das escolhas, mostrando que a política, como a literatura, é feita de paradoxos.

A metáfora do leviatã

O título remete à figura bíblica e filosófica do leviatã, símbolo do poder absoluto e da força desmedida. No romance, o leviatã é metáfora da sociedade, do Estado, mas também do próprio indivíduo em sua dimensão obscura. Auster sugere que cada um de nós carrega um leviatã interior, uma força que pode tanto criar quanto destruir. Essa metáfora amplia o alcance da narrativa, transformando-a em reflexão sobre a condição humana em sua totalidade.

“Leviatã” é um romance que combina investigação, política e filosofia em uma narrativa densa e inquietante. Paul Auster, com sua prosa elegante e reflexiva, constrói uma obra que desafia o leitor a pensar sobre identidade, poder e literatura. É um livro que não oferece respostas fáceis, mas que abre caminhos de reflexão, reafirmando Auster como um dos grandes escritores contemporâneos.

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