| Edição: 1ª |
| Publicação: 22 de julho de 2025 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 208 |
| Peso: 0.260 kg |
| Dimensões: 14 x 1.2 x 21 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 8535940626 |
| ISBN-13: 9788535940626 |
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Comprar LivroNeste livro, a escritora Noemi Jaffe realiza uma investigação sobre o sentido das palavras e a sua capacidade de moldar a realidade e os laços afetivos. A obra estrutura-se como uma espécie de glossário pessoal e familiar, onde cada verbete serve de ponto de partida para escavações na memória e na história. Jaffe debruça-se sobre a herança da língua, especialmente o iídiche e o português, para compreender como as palavras carregam o trauma e a sobrevivência de sua linhagem. A narrativa analisa a relação entre a fala e a ausência, sugerindo que o que não é dito possui tanto peso quanto o que se verbaliza. A autora utiliza a própria experiência como filha de uma sobrevivente do Holocausto para explorar como a linguagem pode ser tanto uma barreira quanto uma ponte para um passado que resiste ao esquecimento.
O texto afasta-se da autobiografia convencional para se tornar uma meditação sobre a natureza do signo linguístico. Jaffe observa como certas expressões perdem ou ganham significado ao longo das gerações, transformando-se em fósseis sentimentais. A escrita detém-se na análise da etimologia e do uso cotidiano, revelando as camadas de sentido que se acumulam sob nomes comuns. A reflexão estende-se ao ato de escrever, tratado aqui como uma tentativa de dar corpo ao que é imaterial. A autora descreve o processo de apropriação da língua materna e a descoberta de uma voz própria, num movimento que busca conferir dignidade aos silêncios impostos pela história. A estrutura fragmentária permite que o pensamento flua entre a análise teórica e o relato íntimo, sem estabelecer uma hierarquia entre eles.
A obra aborda a dimensão física da linguagem, tratando o vocabulário como algo que se aloja no corpo e na respiração. Jaffe investiga como o trauma se manifesta na gagueira, no esquecimento ou na precisão obsessiva de certos termos. A narrativa detalha as interações com sua mãe, onde a troca de palavras funciona como um ritual de reconhecimento e preservação. A autora analisa a responsabilidade de quem herda uma história, questionando como transmitir o horror sem trair a vida. O texto explora a ideia de que a palavra é um compromisso — um pacto de confiança — que sustenta a estrutura da sociedade e da família. A análise recai sobre a fragilidade desse pacto em tempos de esvaziamento do discurso.
A linguagem de Noemi Jaffe é precisa, evitando artifícios que possam obscurecer a clareza da investigação. A autora analisa a literatura e a filosofia para fundamentar suas percepções, transformando a leitura em um exercício de atenção ao mundo. O livro investiga a relação entre o nome e a coisa, a dificuldade de nomear a dor e a alegria que advém da descoberta do termo exato. A reflexão sobre o tempo atravessa toda a obra, mostrando como as palavras envelhecem e se renovam na boca de quem as pronuncia. Jaffe conclui que a palavra dada é o que resta de sólido em um mundo marcado pela impermanência. É um estudo sobre a ética da fala e a necessidade de reconstruir o sentido da experiência humana através do exercício afetuoso da linguagem.