| Edição: 1ª |
| Publicação: 10 de dezembro de 2025 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 512 |
| Peso: 0.720 kg |
| Dimensões: 16 x 2.8 x 23 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 8535943765 |
| ISBN-13: 9788535943764 |
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Comprar LivroVencedor do National Book Award e considerado a conclusão de um ciclo épico iniciado com Satanstango, este romance do mestre húngaro László Krasznahorkai (Nobel de literatura 2025), é uma sinfonia da entropia e do desespero civilizacional. A trama acompanha o Barão Béla Wenckheim que, após décadas de exílio na Argentina, decide retornar à sua cidade natal na Hungria, movido por uma nostalgia romântica e pelo desejo de reencontrar um amor de juventude. Contudo, o que o Barão imagina ser um retorno triunfal transforma-se em um catalisador para o caos. Sua chegada é distorcida pelas expectativas delirantes dos habitantes locais, que veem nele um salvador financeiro, enquanto a realidade da cidade é de uma decadência moral e física absoluta, mergulhada em um niilismo grotesco. Sua chegada atua como um reagente químico que acelera a desintegração de uma coletividade mergulhada na estupidez e na violência latente.
A técnica narrativa de Krasznahorkai é célebre por seus parágrafos labirínticos e frases monumentais que se estendem por páginas, capturando a obsessão e a paranoia de forma física. A prosa não oferece tréguas; ela envolve o leitor em uma torrente de subordinações e digressões que espelham a fragmentação da Europa contemporânea. Enquanto o Barão — uma figura de pureza quase idiota e quixotesca — perambula pelas ruínas de seu passado, a cidade é consumida por forças obscuras, boatos apocalípticos e uma violência latente. O autor utiliza o regresso do aristocrata para diagnosticar a falência das ilusões humanistas e a inevitabilidade de um fim que não é glorioso, mas caótico e sem sentido.
Em paralelo à jornada do Barão, o romance apresenta a figura do Professor, um acadêmico de renome mundial que abandonou sua carreira para viver em um "cabana de isolamento", tentando se proteger de qualquer contato com a realidade externa. O Professor é a voz da lucidez niilista, alguém que compreende que o mundo está irremediavelmente perdido e que a única resposta digna é o silêncio e o despojamento. O contraste entre a esperança ingênua do Barão e a misantropia radical do Professor cria um campo de tensão filosófica onde a beleza e o horror se confundem. A música, ou a ausência dela, e a degradação da linguagem são temas recorrentes que reforçam a sensação de que a civilização atingiu o seu ponto de ruptura final.
A escrita de Krasznahorkai, dotada de um humor negro corrosivo, transforma a pequena cidade húngara em um palco universal para o fim dos tempos. O autor não utiliza a distopia como um gênero de entretenimento, mas como uma constatação ontológica: o retorno do Barão não traz redenção, mas a revelação de que o "lar" não existe mais e que a história é uma marcha em direção ao vácuo. A conclusão do livro, marcada por uma conflagração de eventos absurdos e destrutivos, consolida a obra como uma das meditações mais perturbadoras sobre a impossibilidade da inocência em um mundo que esqueceu a própria dignidade.