| Edição: 1ª |
| Publicação: 31 de março de 2016 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 359 |
| Peso: 0.56 kg |
| Dimensões: 22.8 x 15.6 x 2.2 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 8539306212 |
| ISBN-13: 9788539306213 |
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Comprar LivroPublicado originalmente em 1974, o livro examina as transformações econômicas, sociais e políticas que marcaram o fim do Império Romano e a formação do feudalismo na Europa Ocidental. Perry Anderson, historiador marxista britânico, propõe uma leitura estrutural e materialista da história, destacando como a crise do modo de produção escravista, as invasões bárbaras e a fragmentação do poder político contribuíram para o surgimento de uma nova ordem baseada na terra, na servidão e na descentralização.
A obra é marcada por rigor teórico e amplo domínio historiográfico, dialogando com autores como Marx, Weber e Bloch. Anderson também compara o desenvolvimento europeu com o mundo bizantino e islâmico, oferecendo uma perspectiva global sobre o período.
A transição da Antiguidade Clássica (marcada pelo Império Romano) para o Feudalismo (característico da Idade Média) foi um longo processo de transformação social, política e econômica que durou do século III ao X na Europa Ocidental.
Essa passagem não foi abrupta, mas sim uma fusão de elementos da cultura romana em decadência com as tradições dos povos germânicos.
O colapso do Império Romano do Ocidente (século V) e as mudanças estruturais que o precederam foram os catalisadores para o surgimento do feudalismo.
Crise do Escravismo e o Colonato: A economia romana era dependente da mão de obra escrava, obtida principalmente por meio de conquistas. Com o fim das grandes expansões (a partir do século III), o fornecimento de escravos diminuiu drasticamente.
O Império, em crise, viu o surgimento do colonato. Plebeus empobrecidos e escravos libertos trabalhavam as terras dos grandes proprietários (as villas) em troca de proteção e de uma parte da produção.
O colonato foi o antecessor direto do servilismo feudal, onde os camponeses (servos) estavam ligados à terra e deviam obrigações ao senhor feudal.
Ruralização e autonomia: Com a crise urbana, o êxodo das cidades e a insegurança das invasões bárbaras (germânicas), as grandes propriedades rurais (villas) se tornaram centros de poder e produção autossuficientes. A terra (o feudo) passou a ser a principal fonte de riqueza e poder, substituindo o dinheiro e o comércio.
O feudalismo se consolidou com o enfraquecimento do poder central e a fragmentação política após a desagregação do Império Romano.
Influência Germânica: Elementos germânicos, como o comitatus (laços de lealdade e fidelidade entre guerreiros e seu chefe) e o beneficium (concessão de terras ou bens em troca de serviço), fundiram-se com práticas romanas, dando origem às relações de suserania e vassalagem.
Dinastias Francas:
Período Merovíngio: Marcou a transição inicial, com o enfraquecimento dos reis e o crescente poder dos nobres e dos Mordomos do Palácio (que administravam o reino e distribuíam terras).
Período Carolíngio: Embora Carlos Magno tenha tentado restaurar um império centralizado (século VIII-IX), o seu sistema de administração, que dependia da concessão de terras em troca de lealdade e serviço militar, acabou por acelerar o processo de feudalização.
O Tratado de Verdun (843), que dividiu o Império Carolíngio, somado às novas ondas de invasões (vikings, magiares), fragilizou a autoridade central e consolidou o poder dos senhores de terra locais (os futuros senhores feudais), que eram a única fonte de proteção para a população.
Essa combinação de fatores resultou na consolidação do Modo de Produção Feudal (basicamente agrário e servil) e na estrutura política e social baseada na vassalagem, que atingiu seu auge por volta do século X.
A obra de Anderson é um estudo da transição histórica e estabelece uma argumentação poderosa sobre as forças motrizes que levaram ao colapso do sistema escravista da Antiguidade e ao nascimento do modo de produção feudal.
Anderson se debruça sobre o longo processo de transformação das sociedades antigas, cujo sustentáculo era o sistema escravista, para uma sociedade baseada no modo de produção feudal (servil e agrário).
Materialismo histórico: A obra é profundamente alicerçada no materialismo histórico (a ótica marxista). Anderson busca as contradições internas do modo de produção escravista romano que o levaram à exaustão, em vez de focar apenas em causas externas (como as invasões bárbaras).
A queda do escravismo: O autor argumenta que a falta de inovações tecnológicas no mundo clássico e a dependência de um fluxo constante de escravos (obtidos via conquista) criaram um limite estrutural. Com o fim da expansão imperial, o sistema entrou em crise.
A síntese: Anderson analisa a fusão de elementos romanos e germânicos. O sistema feudal é visto como uma síntese única resultante da implosão do Império Romano do Ocidente (sua estrutura social e o colonato) e da organização social e militar dos invasores germânicos (o comitatus e o beneficium).
Análise comparativa: Uma parte importante do livro é a comparação entre o desenvolvimento da Europa Ocidental (onde o feudalismo floresceu) e a Europa Oriental (Bizâncio), onde a transição ocorreu de forma diferente devido à persistência de um Estado centralizado e à ausência de uma síntese germano-romana completa.
O livro é considerado um clássico absoluto no tema. Juntamente com seu volume complementar, Linhagens do Estado Absolutista, ele oferece uma narrativa complexa e rigorosa das transformações políticas e econômicas desde a Antiguidade até o surgimento das monarquias modernas.
Embora alguns conceitos que utiliza (como o próprio "modo de produção escravista") sejam debatidos por acadêmicos contemporâneos, a obra é elogiada por guiar com clareza o leitor pelas questões sociais e políticas que moldaram a Europa.