| Edição: 1ª |
| Publicação: 28 de julho de 2025 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 272 |
| Peso: 0.300 kg |
| Dimensões: 14 x 1.5 x 21 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 8542236610 |
| ISBN-13: 9788542236613 |
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Chung Serang, uma das vozes mais vibrantes da literatura contemporânea sul-coreana, tece nesta obra uma narrativa que é, simultaneamente, um tributo à ancestralidade e uma desconstrução das expectativas sociais impostas às mulheres. A trama orbita em torno de Shim Sisun, uma matriarca iconoclasta, artista e sobrevivente, cuja presença permanece tão avassaladora após a morte que impele sua vasta descendência a realizar um rito de passagem singular no Havaí. Mediante uma linguagem que equilibra o lirismo sensível com uma ironia refinada, a autora explora como o legado de uma mulher pode atuar como um prisma, refratando as identidades de três gerações que buscam, cada uma à sua maneira, reconciliar-se com o peso e a luz de pertencer a uma linhagem tão extraordinária.
A estrutura do romance utiliza a viagem ao Havaí não como um mero cenário exótico, mas como um campo de exploração para as feridas históricas e pessoais. Sisun, tendo vivido os horrores da Guerra da Coreia e a subsequente diáspora artística, deixou instruções que subvertem a tradicional cerimônia do jesa. Em vez de rituais rígidos e patriarcais, cada familiar deve encontrar algo que represente Sisun naquele solo estrangeiro. A prosa de Serang disseca as complexidades de cada neto e filho, revelando como a sombra da matriarca os protege e, por vezes, os obscurece. O livro oferece considerações profundas sobre o feminismo coreano, o impacto intergeracional do trauma e a beleza da imperfeição familiar, transformando o luto em uma celebração da autonomia.
Por meio de fragmentos de entrevistas e textos fictícios de Sisun intercalados na narrativa, a autora reconstrói a voz de uma intelectual que recusou o silêncio. Chung Serang demonstra que a memória não é um monumento estático, mas um organismo vivo que exige participação ativa e constante reinterpretação para não se tornar um fardo.
Ao encerrar esta crônica familiar, Chung Serang reafirma que ser “filho de Sisun” é aceitar o desafio de ser autêntico em uma sociedade que valoriza a conformidade. Suas considerações finais ecoam a necessidade de se honrar o passado sem se deixar acorrentar por ele, posicionando Sisun como um arquétipo da mulher moderna que, mesmo fragmentada pela história, permaneceu íntegra em sua essência. A obra é uma leitura revigorante que evita sentimentalismos fáceis, oferecendo, em vez disso, uma visão robusta e colorida sobre a resiliência humana e a força inabalável dos laços que não se quebram com a morte. É uma ode à liberdade feminina e à diversidade de caminhos que uma única vida pode inspirar.
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