Aproveitar a vida e suas dores - Calligaris, Contardo

Edição:
Publicação: 29 de setembro de 2025
Idioma: Português
Páginas: 208
Peso: 0.240 kg
Dimensões: 14 x 1.2 x 21 cm
Formato: Capa comum
ISBN-10: 8542237390
ISBN-13: 9788542237399

Quer comprar este livro?

Comprar Livro

Aproveitar a vida e suas dores - Contardo Calligaris

"Aproveitar a vida e suas dores" é uma coletânea de crônicas que oferece uma perspectiva filosófica e psicanalítica sobre a existência humana, a felicidade e, fundamentalmente, a plenitude da vida, defendida por Contardo Calligaris. Do autor best-seller de Cartas a um jovem terapeuta e O sentido da vida, vencedor do prêmio Jabuti 2024.

A obra é um convite à reflexão livre, que se opõe ao que o autor identifica como o ideal dominante e, muitas vezes, tirânico da felicidade em nossa sociedade.

1. O eixo central: A crítica ao ideal da felicidade

O cerne do livro reside na recusa de Calligaris em adotar a felicidade como a aspiração máxima da vida. Para ele, a busca incessante por um estado de contentamento inabalável é uma armadilha que nos impede de viver de forma plena e interessante.

A filosofia do autor é resumida em sua citação mais emblemática, que permeia o espírito da obra:

“Com frequência, em conversas e entrevistas, alguém me pergunta o que penso da felicidade, obviamente na esperança de que eu espinafre esse ideal dominante de nossos tempos. Na verdade, não sei se a felicidade é mesmo um ideal dominante. […] minha aspiração dominante não é a de ser feliz: quero viver o que der e vier, comédias, tangos e também tragédias – quanto mais plenamente possível, sem covardia.”

 Pontos de destaque da tese:

Viver plenamente: O objetivo não é ser feliz, mas sim ter uma vida interessante e plena.

Acolher o sofrimento: A plenitude pressupõe a capacidade de sentir integralmente, o que significa sentir plenamente as dores: das perdas, do luto, do fracasso. Tentar nos poupar do que é ruim é o "tremendo desastre" do ideal de felicidade.

Coragem e resistência: A obra sugere que é preciso coragem para abraçar a totalidade da experiência, sem covardia. O ato de refletir com liberdade sobre a própria vida é, em si, uma forma de resistência ao "falatório vazio" e à "filosofia do contente".

2. O método do cronista-psicanalista

Contardo Calligaris utiliza o formato da crônica para exercitar sua "arte refinada da escuta do mundo", combinando seu olhar de psicanalista com o de um observador perspicaz do cotidiano.

Olhar atento ao cotidiano: Sua escrita parte de situações cotidianas, interações sociais, cultura, cinema e literatura para construir reflexões instigantes.

Psicanálise e filosofia: Calligaris não se limita à clínica. Ele transita entre a psicanálise e a filosofia para abordar as buscas pelos sentidos da vida, a insatisfação intrínseca à cultura moderna e a complexidade das relações humanas.

Diálogo e escuta: Em um mundo que o autor caracteriza pelo excesso de opinião e escassez de escuta, suas crônicas se destacam por convidar o leitor a olhar ao redor e pensar com profundidade, mantendo a curiosidade de quem nunca deixou de ser estrangeiro em relação ao mundo.

3. Temas recorrentes

A coletânea aborda questões existenciais profundas sob a ótica da psicanálise social:

O desejo e a insatisfação: O autor discute frequentemente a ligação da felicidade com a satisfação de desejos, argumentando que isso é "antinômico" ao funcionamento de nossa cultura, fundada na insatisfação. A angústia, para ele, muitas vezes reside na "falta de desejo nas pessoas".

O sentido da vida: Assim como em sua obra anterior (O Sentido da Vida), Calligaris sugere que o problema não é encontrar "o sentido da vida", mas sim descobrir que a vida se justifica por si só, podendo ser seu próprio sentido. O caminho é tornar cada escolha interessante.

Vida e morte: Calligaris aborda a morte e o luto com a mesma lucidez, defendendo que a experiência plena abarca a finitude.

Em suma, "Aproveitar a vida e suas dores" é um testamento do legado de Calligaris como um pensador que desmantelou clichês e convidou o leitor a uma experiência existencial mais autêntica, onde a dor não é um obstáculo a ser evitado, mas uma parte essencial para uma vida verdadeiramente interessante. 

Mais livros