| Edição: 1ª |
| Publicação: 4 de setembro de 2019 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 514 |
| Peso: 0.810 kg |
| Dimensões: 23.6 x 16.2 x 3 cm |
| Formato: Capa dura |
| ISBN-10: 8544002293 |
| ISBN-13: 9788544002292 |
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Comprar LivroPublicado em 1869, O homem que ri é um dos romances mais intensos e simbólicos de Victor Hugo, em que o grotesco se torna veículo para a denúncia social e a reflexão filosófica. A narrativa acompanha Gwynplaine, um jovem marcado por uma deformidade cruel: seu rosto foi mutilado na infância, deixando-lhe um sorriso permanente e aterrador. Ao lado de Dea, a jovem cega que o ama, e de Ursus, o filósofo errante que os acolhe, Gwynplaine percorre uma trajetória que oscila entre a marginalidade e a súbita ascensão à aristocracia. Hugo constrói, nesse romance, uma crítica vigorosa às desigualdades sociais, à corrupção política e à hipocrisia das elites, sem perder de vista a dimensão humana e trágica de seus personagens.
O homem que ri é uma obra que se inscreve na tradição romântica, mas que ultrapassa os limites do gênero ao explorar o grotesco como categoria estética e moral. Hugo, mestre em criar personagens que encarnam símbolos universais, faz de Gwynplaine uma figura paradoxal: ao mesmo tempo objeto de riso e de compaixão, ele se torna metáfora da condição humana, marcada pela dor e pela injustiça.
A narrativa é construída com a grandiosidade característica do autor, que alterna descrições minuciosas, digressões filosóficas e cenas de intensa dramaticidade. O estilo é exuberante, por vezes excessivo, mas sempre carregado de força poética. A deformidade de Gwynplaine não é apenas física: ela revela a deformidade moral da sociedade que o rejeita e, ao mesmo tempo, o transforma em espetáculo.
O romance também se destaca pela crítica social incisiva. Hugo denuncia a indiferença das elites diante da miséria, a manipulação política e a fragilidade das instituições. Ao inserir Gwynplaine no Parlamento, apenas para expor sua impotência diante da máquina aristocrática, o autor revela a distância entre o ideal de justiça e a realidade da opressão.
No plano simbólico, O homem que ri dialoga com a tradição do teatro e da farsa, mas o faz para subverter o riso: aquilo que deveria divertir torna-se perturbador, obrigando o leitor a confrontar a crueldade que se esconde sob a aparência. É um romance que, ao mesmo tempo, emociona e inquieta, revelando a capacidade de Hugo de transformar a literatura em instrumento de denúncia e de reflexão.