| Edição: 1ª |
| Publicação: 20 de março de 2026 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 264 |
| Peso: 0.280 kg |
| Dimensões: 14 x 1.5 x 20.9 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 8546907994 |
| ISBN-13: 9788546907991 |
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Em “O dano do discurso de ódio”, Jeremy Waldron empreende uma investigação jurídica e filosófica de rara densidade sobre o impacto das injúrias públicas na estrutura da sociedade democrática. O autor se afasta das discussões simplistas que reduzem o debate à tensão absoluta entre a liberdade de expressão e a censura, preferindo concentrar o foco no que ele denomina de “ambiente público de segurança”. Para Waldron, o discurso de ódio não é meramente uma agressão verbal isolada ou um exercício de opinião, mas um ataque direto à premissa de que todos os cidadãos possuem, em igual medida, uma dignidade fundamental que deve ser respeitada no espaço comum.
A tese central reside na ideia de que as leis que restringem o discurso de ódio visam, primordialmente, proteger um “bem público” essencial: a garantia de que nenhum grupo social seja submetido a uma atmosfera de vilipêndio ou exclusão sistemática. Ao desferir ataques contra a dignidade de minorias, o discurso de ódio degrada as condições necessárias para que os indivíduos participem da vida política e social. O autor argumenta, com rigor analítico, que a tolerância democrática exige que determinados limites sejam traçados para assegurar que a palavra não se converta em um instrumento de silenciamento ou de intimidação social.
Waldron examina como a segurança da dignidade não é um luxo abstrato, mas um requisito prático para a coexistência. Ele desmantela a noção de que o remédio para o discurso pernicioso seria sempre o “mais discurso”, demonstrando que, em certos contextos, a permissividade estatal atua como uma anuência tácita à erosão da igualdade. O estilo do autor é cirúrgico ao distinguir a ofensa pessoal, que pode ser tolerada em nome da liberdade, do assédio grupal, que corrói os fundamentos da ordem cívica.
A reflexão sobre o conceito de “garantia da dignidade” revela a responsabilidade compartilhada que sustenta a paz social. Waldron demonstra como o discurso de ódio, ao atacar a posição de igualdade dos grupos, mina a legitimidade das instituições democráticas. É um convite à reflexão sobre como o Direito pode, ao mesmo tempo, resguardar a liberdade intelectual e impedir que o ódio se torne a linguagem dominante do debate público.
O autor postula que o Estado tem o dever ético de proteger a segurança pública da dignidade, compreendendo que a ausência de normas contra o ódio não promove a liberdade, mas o enfraquecimento da confiança mútua indispensável ao contrato social. A obra, ao se debruçar sobre a teoria política e a jurisprudência, torna-se um tratado sobre a preservação de um clima de convivência em que a palavra não seja o precursor da desumanização.
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