| Edição: 1ª |
| Publicação: 9 de março de 2017 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 176 |
| Peso: 0.626 kg |
| Dimensões: 20.8 x 13.2 x 1.4 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 855100137X |
| ISBN-13: 9788551001370 |
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Comprar LivroPublicado em 1992, Um amor incômodo é o romance de estreia da escritora italiana Elena Ferrante, que já revela, desde suas primeiras páginas, a força de uma voz literária marcada pela intensidade emocional e pela dissecação implacável das relações familiares. A narrativa acompanha Delia, uma mulher que retorna a Nápoles após a morte súbita e misteriosa de sua mãe, Amália. O reencontro com a cidade natal e com as memórias da infância desencadeia um mergulho doloroso em lembranças de violência, segredos e ressentimentos.
O romance se constrói como uma investigação íntima: Delia busca compreender não apenas as circunstâncias da morte da mãe, mas também a complexa relação que sempre as uniu, feita de proximidade sufocante e de distâncias irreconciliáveis. A figura materna, ao mesmo tempo fascinante e perturbadora, torna-se o centro de uma narrativa que expõe os limites entre amor e ódio, desejo e repulsa.
Ferrante inaugura sua obra literária com uma escrita visceral, que não teme expor as zonas mais sombrias da experiência feminina. A prosa é direta, cortante, mas também carregada de lirismo, capaz de transformar a dor em matéria estética. O romance é marcado por uma atmosfera de claustrofobia, em que Nápoles surge como cenário opressivo, impregnado de violência, tradições e silêncios.
Delia é uma protagonista complexa, construída a partir de contradições: filha ressentida, mulher em busca de autonomia, mas ainda prisioneira das marcas deixadas pela mãe. A relação entre ambas é narrada como um campo de batalha emocional, em que o afeto se mistura à repulsa, e a memória se torna tanto revelação quanto ferida.
O estilo de Ferrante já anuncia os traços que se tornariam característicos em sua obra posterior: a exploração da intimidade feminina, a atenção às tensões familiares, o retrato cru da vida napolitana e a capacidade de transformar experiências pessoais em reflexão universal. Um amor incômodo é, assim, um romance inaugural que impressiona pela coragem e pela densidade, que permanece atual por sua abordagem sem concessões da maternidade e da identidade.