| Edição: 1ª |
| Publicação: 10 de novembro de 2020 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 160 |
| Peso: 0.340 kg |
| Dimensões: 14 x 0.9 x 21 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 8551006592 |
| ISBN-13: 9788551006597 |
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Comprar LivroPublicado originalmente em 2017, A cachorra (La perra, no título original) é um romance breve e intenso da escritora colombiana Pilar Quintana, ambientado na costa do Pacífico colombiano, região marcada pela exuberância da natureza e pela dureza da vida cotidiana. A protagonista, Damaris, é uma mulher que vive em um vilarejo isolado, cercada por pobreza, calor sufocante e mar revolto. Frustrada pelo desejo não realizado de ser mãe, ela adota uma cadela, que se torna ao mesmo tempo companhia e espelho de sua própria condição.
A relação entre Damaris e o animal, inicialmente marcada pelo afeto, vai se transformando em um vínculo ambíguo, atravessado por instintos, carências e violência. A cadela torna-se metáfora da maternidade negada, do desejo de cuidado e da impossibilidade de plenitude. Nesse jogo de espelhos, Quintana constrói uma narrativa que expõe a fragilidade humana diante da solidão e da natureza selvagem.
A escrita de Pilar Quintana é seca, direta e despojada de ornamentos, mas carregada de tensão. O romance se constrói em frases curtas, que refletem a aridez da vida de Damaris e a brutalidade do ambiente em que vive. A autora evita sentimentalismos: sua prosa é crua, quase implacável, e justamente por isso alcança uma força emocional avassaladora.
O cenário da costa colombiana não é apenas pano de fundo, mas personagem ativo da narrativa. O mar, a floresta e o clima opressivo moldam os destinos humanos, impondo limites e revelando instintos. A cadela, por sua vez, é mais que um animal: é símbolo da maternidade frustrada, da necessidade de afeto e da violência latente que atravessa a protagonista.
Quintana articula com maestria temas como maternidade, desejo, abandono e instinto, criando uma obra que, apesar de sua brevidade, possui densidade literária e emocional. A cachorra é um romance que incomoda e fascina, pois expõe sem filtros a precariedade da vida e a ambivalência dos afetos.