| Edição: 1ª |
| Publicação: 28 de agosto de 2025 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 480 |
| Peso: 0.570 kg |
| Dimensões: 15.5 x 2.6 x 23 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 8551012231 |
| ISBN-13: 9788551012239 |
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Comprar LivroEm Katábasis (2025), a escritora sino-americana R.F. Kuang — já consagrada por obras como A guerra da papoula, Babel e Impostora — conduz o leitor a uma narrativa que mescla fantasia sombria, mitologia e elementos de dark academia. O romance acompanha Alice Law e Peter Murdoch, estudantes do renomado professor Grimes em Cambridge. Exigente e temido, Grimes era também a chave para o futuro acadêmico de seus discípulos. Após sua morte em um acidente misterioso, os alunos se veem órfãos de guia e de perspectivas.
É nesse contexto que Alice decide empreender uma jornada impossível: descer ao Inferno para recuperar o professor. A narrativa se constrói como uma verdadeira katábasis — termo grego que designa a descida ao mundo dos mortos — e entrelaça referências mitológicas, dilemas filosóficos e tensões emocionais.
R.F. Kuang reafirma em Katábasis sua habilidade de unir erudição e imaginação. A obra dialoga com tradições clássicas, evocando mitos de descida ao submundo, como os de Orfeu e Eneias, mas os reinterpreta sob a ótica contemporânea da academia e da busca pelo conhecimento. O Inferno, aqui, não é apenas espaço de tormento, mas metáfora da obsessão intelectual e da necessidade de confrontar os limites da ambição humana.
A escrita de Kuang é precisa e vigorosa, alternando momentos de densidade filosófica com passagens de tensão narrativa. O ambiente universitário de Cambridge é retratado como microcosmo de poder e hierarquia, onde a morte do professor desencadeia tanto a desorientação dos discípulos quanto a revelação de suas próprias fragilidades. Alice, ao decidir atravessar os limites da vida e da morte, encarna a figura da aprendiz que desafia o destino, enquanto Peter representa o contraponto crítico, marcado por rivalidade e ressentimento.
O romance se insere na tradição da dark academia, explorando a sedução do saber e o preço da busca desenfreada por reconhecimento. Ao mesmo tempo, Kuang imprime à narrativa uma atmosfera de fantasia sombria, em que o Inferno é descrito com riqueza imagética e simbolismo. O resultado é uma obra que transcende o mero entretenimento, propondo uma reflexão sobre memória, legado e o poder transformador — e destrutivo — do conhecimento.