Ele que o abismo viu: Epopeia de Gilgámesh - Sin-leqi-unninni

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Edição:
Publicação: 20 de outubro de 2017
Idioma: Português
Páginas: 336
Peso: 0.600 kg
Dimensões: 22.2 x 15.6 x 1.8 cm
Formato: Capa comum
ISBN-10: 8551302833
ISBN-13: 9788551302835

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Epopeia de Gilgámesh - Tradução de Jacyntho Lins Brandão

O despertar do herói diante da finitude

Ele que o abismo viu é uma das versões do mito de Gilgámesh, a que é atribuída a Sin-léqi-unnínni (séc. XIII a.C.), considerada a mais completa e importante dessa tradição acádia.

Considerada a obra literária mais remota da humanidade, a Epopeia de Gilgámesh ressurge nesta tradução direta do acádio com uma crueza e uma solenidade que atravessam os milênios. A narrativa acompanha a trajetória de Gilgámesh, o rei de Uruk, cuja natureza híbrida — dois terços divino e um terço humano — o condena a uma inquietude existencial devastadora. Inicialmente apresentado como um tirano de força descomunal, o monarca encontra seu espelho e contraponto em Enkidu, o homem selvagem moldado pelo barro para enfrentá-lo. A amizade que nasce entre ambos não é apenas um pacto de armas, mas o início de uma jornada de humanização que culminará na descoberta da vulnerabilidade e do luto.

A busca pela imortalidade e o silêncio dos deuses

A estrutura dos tabletes de argila revela uma poesia de repetições rituais e epítetos que evocam a sonoridade das cortes da Mesopotâmia. Após a morte de Enkidu, o texto transita do heroísmo épico para a angústia filosófica; Gilgámesh abandona sua coroa e veste peles de animais, vagando pelo deserto em busca de Utnapishtim, o sobrevivente do dilúvio que detém o segredo da vida eterna. A linguagem de Jacyntho Lins Brandão preserva a cadência arcaica, permitindo que o leitor sinta o peso do tempo e a indiferença das divindades sumérias. O herói, ao confrontar o abismo da morte, percebe que a única eternidade acessível ao homem reside na memória das grandes obras e na solidez das muralhas que ele mesmo ergueu.

A dualidade entre a estepe e a cidade

O conflito central entre o selvagem Enkidu e o civilizado Gilgámesh simboliza a transição da humanidade para a vida urbana. A domesticação do homem natural pelas artes da civilização e pelo erotismo constitui um dos temas mais sofisticados e precoces da literatura mundial.

O dilúvio e a sabedoria ancestral

A inclusão do mito do dilúvio oferece uma perspectiva única sobre a percepção mesopotâmica do caos e da ordem. A sabedoria que Gilgámesh traz do “abismo” não é uma fórmula mágica para não morrer, mas a compreensão profunda de que a condição humana é definida pela sua limitação temporal.

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