| Edição: 1ª |
| Publicação: 1 de agosto de 2017 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 176 |
| Peso: 0.220 kg |
| Dimensões: 22.6 x 15.6 x 1.4 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 855200027X |
| ISBN-13: 9788552000273 |
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A obra de Luís Edmundo Moraes se estabelece como um exame minucioso e dialético do “longo século XIX”, período em que as estruturas do Antigo Regime foram solapadas pelo ímpeto das transformações liberais e industriais. O autor não se limita à cronologia factual, mas empreende uma análise das forças subterrâneas — econômicas, sociais e ideológicas — que moldaram o mundo contemporâneo. Com uma linguagem erudita e rigorosa, Moraes disseca o impacto da Revolução Francesa como o epicentro de uma nova gramática política, onde os conceitos de cidadania, soberania popular e direitos universais deixaram de ser abstrações filosóficas para se tornarem motores de conflagrações reais.
O estilo da obra é marcado por uma densidade analítica que valoriza a complexidade dos processos históricos. O autor transita com maestria entre a análise das barricadas parisienses e as chaminés das fábricas inglesas, demonstrando como a Revolução Industrial e o Capitalismo reconfiguraram as relações humanas e o espaço geográfico. A narrativa de Moraes é pontuada por uma reflexão crítica sobre as contradições do progresso, revelando como a promessa iluminista de emancipação coexistiu com a exploração do operariado, o advento do nacionalismo exacerbado e a expansão imperialista que culminaria no colapso da civilização europeia em 1914.
Um dos subitens mais lúcidos da obra reside na investigação sobre a construção das identidades nacionais. Moraes discorre sobre como o século XIX foi o laboratório das “comunidades imaginadas”, onde o Estado-nação buscou legitimar-se através da unificação linguística, da invenção de tradições e do ensino da história. O autor demonstra que o nacionalismo, inicialmente uma força libertadora contra o absolutismo, transmutou-se gradualmente em um vetor de exclusão e agressividade, alimentando as rivalidades que transformaram a Europa em um barril de pólvora pronto a explodir diante das tensões balcânicas.
Moraes dedica reflexões profundas ao período final do século XIX e início do XX, desconstruindo a imagem idílica da Belle Époque para revelar as rachaduras sob a superfície do otimismo tecnológico. Ele analisa como o Imperialismo — a busca frenética por mercados e matérias-primas na África e na Ásia — não foi um apêndice da história europeia, mas uma necessidade intrínseca do sistema econômico da época. A obra conclui-se na antecâmara da Grande Guerra, apresentando o conflito não como um acidente fortuito, mas como a desembocadura inevitável de um sistema que não conseguia mais conter suas próprias forças produtivas e destrutivas em um equilíbrio diplomático.
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