| Edição: 6ª |
| Publicação: 1 de fevereiro de 2001 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 160 |
| Peso: 0.310 kg |
| Dimensões: 22.8 x 15.6 x 1 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 8552000326 |
| ISBN-13: 9788552000327 |
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A obra de Pedro Paulo Funari se estabelece como uma síntese magistral, distanciando-se do manual didático convencional para operar uma verdadeira anatomia das estruturas sociopolíticas da Antiguidade Clássica. O autor, com a erudição que lhe é característica, não se limita a narrar cronologias, mas sim a dissecar as engrenagens da pólis grega e da res publica romana, revelando como esses dois pilares sustentam, ainda hoje, o edifício do pensamento ocidental. Funari utiliza uma linguagem culta e precisa para demonstrar que a Grécia e Roma não foram blocos monolíticos, mas sociedades dinâmicas, perpassadas por tensões de classe, inovações filosóficas e uma constante renegociação do sagrado.
O estilo do autor é marcado por um olhar crítico que desmistifica a idealização romântica do passado. Ele explora a democracia ateniense não como um sistema perfeito, mas como uma experiência excludente e radical, ao mesmo tempo em que analisa a expansão romana como um fenômeno de engenharia administrativa e militar sem precedentes. A narrativa de Funari é fluida e analítica, conduzindo o leitor da ágora ao fórum com a segurança de quem domina as fontes arqueológicas e literárias, permitindo uma compreensão profunda de como o direito, a retórica e a estética clássica foram moldados pela necessidade prática e pela ambição imperial.
Um dos subitens mais instigantes do texto reside na análise da alteridade e do conflito social. Funari mergulha na complexa relação entre o cidadão e o escravo, o meteco e o bárbaro, evidenciando que a pujança cultural de Atenas e a magnitude de Roma dependiam de uma base laboral servil. O autor discorre sobre como a identidade clássica era forjada em oposição ao “outro”, e como as revoltas sociais e as reformas de figuras como Sólon ou os irmãos Graco foram tentativas de equilibrar um sistema inerentemente desigual, conferindo à obra uma relevância sociológica contemporânea.
A investigação de Funari estende-se para além dos textos filosóficos, alcançando a arqueologia do cotidiano. Ele descreve com minúcia como a cerâmica, os mosaicos e o traçado urbano refletiam a visão de mundo dessas civilizações, onde a busca pela proporção e pela ordem divina se manifestava tanto no Partenon quanto nos aquedutos romanos. Esta abordagem holística permite ao leitor perceber a Antiguidade como um legado vivo, uma herança que continua a pulsar nas línguas românicas, nos sistemas jurídicos modernos e na própria concepção de Estado e ética que define a nossa contemporaneidade.
A obra oferece uma análise crítica e erudita sobre as fundações da Antiguidade Clássica, explorando as contradições e os esplendores de Grécia e Roma como matrizes essenciais da civilização ocidental.
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