| Edição: 1ª |
| Publicação: 27 de setembro de 2023 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 104 |
| Peso: 0.130 kg |
| Dimensões: 14 x 0.7 x 21 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 8553019640 |
| ISBN-13: 9788553019649 |
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Nesta obra fundamental, baseada em conferências proferidas na década de 1950 e posteriormente refinadas, Joseph Ratzinger — o futuro Papa Bento XVI — explora uma das questões mais centrais da teologia cristã: a relação entre o Deus revelado na história de Israel e o “Absoluto” alcançado pelo pensamento filosófico clássico. Ratzinger argumenta que o cristianismo não nasceu de uma rejeição da razão, mas de uma escolha deliberada pela verdade. Ao se apresentar ao mundo helênico, a fé cristã não se aliou às religiões míticas e rituais do paganismo, mas sim à busca filosófica pelo Logos (a Razão), identificando o Deus de Abraão com a Causa Primeira dos filósofos.
A erudição de Ratzinger manifesta-se na análise de como essa “opção pelo Logos” transformou ambas as esferas. O Deus dos filósofos, que era uma entidade impessoal e estática, tornou-se, na fé cristã, um Deus pessoal que fala e ama. Simultaneamente, o Deus da fé foi purificado de particularismos tribais para ser reconhecido como a Razão criadora que sustenta o universo.
Ratzinger investiga o conceito de “Deus como Pessoa”, desafiando a visão de que a racionalidade filosófica e a devoção religiosa seriam incompatíveis. Ele sustenta que o cristianismo operou uma revolução metafísica ao afirmar que o Ser supremo é, em sua essência, Relação (Trindade). Assim, o Deus que é “pensamento do pensamento” (Aristóteles) é também o Deus que é “amor e providência”. A obra desconstrói o preconceito de que o Deus da filosofia é frio e distante, enquanto o Deus da Bíblia seria meramente emocional; para o autor, o Deus verdadeiro deve ser simultaneamente o fundamento da lógica e o interlocutor da oração.
O autor analisa também a crise da metafísica moderna, onde a razão foi reduzida ao puramente funcional e matemático, deixando a fé isolada no campo do sentimento subjetivo. Ratzinger propõe um retorno à unidade original, onde a fé protege a razão de cair no niilismo, e a razão protege a fé de cair no fanatismo ou na superstição. A qualidade editorial do texto reflete a precisão germânica do autor, capaz de transitar entre a ontologia clássica e a exegese bíblica com fluidez e profundidade.
A obra culmina em uma reflexão sobre a missão da Igreja no mundo contemporâneo. Ratzinger defende que o cristianismo só permanece fiel a si quando mantém vivo esse diálogo entre a revelação e a inteligência. Ele argumenta que a desvinculação entre o Deus da fé e o Deus da razão leva inevitavelmente à desintegração da cultura ocidental, construída sobre essa síntese. A “pretensão de verdade” do cristianismo é, para o autor, o que o diferencia de um mero código de conduta moral ou de uma terapia de bem-estar.
A análise de O Deus da fé e o Deus dos filósofos é essencial para compreender o pensamento de Ratzinger sobre o “átrio dos gentios” e a necessidade de uma razão alargada. Ele conclui que o Deus cristão é aquele que se deixa encontrar tanto pelo humilde que reza quanto pelo sábio que investiga a estrutura do cosmos. A obra permanece como um baluarte da teologia racional, reafirmando que o encontro entre a Bíblia e a Grécia não foi um acidente histórico, mas uma providência que deu forma à civilização.
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