| Edição: 1ª |
| Publicação: 22 de fevereiro de 2022 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 208 |
| Peso: 0.47 kg |
| Dimensões: 16.2 x 1.4 x 23.8 cm |
| Formato: Box / Coleção |
| ISBN-10: 8556511341 |
| ISBN-13: 9788556511348 |
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Comprar LivroPublicado originalmente em 1974, Carrie não é apenas o romance de estreia de Stephen King — é o manifesto inaugural de um autor que redefiniria o terror moderno. Nesta edição da Coleção Biblioteca Stephen King, o livro ganha tratamento editorial à altura de sua importância: capa dura, nova tradução e conteúdo extra que resgata o impacto cultural e literário da obra.
Carrie White é uma adolescente tímida, socialmente excluída e emocionalmente mutilada por uma mãe fanática religiosa que vê pecado em tudo — inclusive na própria filha. Na escola, Carrie é alvo constante de bullying, zombarias e humilhações. O que seus colegas ignoram é que, por trás da fragilidade, Carrie abriga um poder latente: telecinesia — a capacidade de mover objetos com a mente. Um dom que, quando despertado, se torna uma força de destruição.
King constrói a história com uma estrutura não linear e multifacetada. A narrativa alterna entre trechos de documentos oficiais, entrevistas, artigos acadêmicos e relatos de sobreviventes de uma tragédia que abalou a cidade fictícia de Chamberlain, Maine. Essa abordagem documental — quase jornalística — dá à obra um tom de investigação pós-catástrofe, como se o leitor estivesse reconstruindo os eventos a partir dos escombros.
Essa escolha narrativa é ousada para um autor estreante. Em vez de seguir apenas a perspectiva de Carrie, King nos oferece múltiplas vozes, o que enriquece a compreensão dos personagens e da sociedade que os molda. A tragédia, portanto, não é apenas pessoal — é coletiva. Carrie é o produto de um ambiente tóxico, de uma cultura que pune a diferença e alimenta o fanatismo.
Carrie é, acima de tudo, um romance sobre violência social, repressão sexual e vingança. O terror aqui não vem de monstros, mas da crueldade humana. A cena do baile — icônica e devastadora — é o ápice de uma tensão construída com precisão cirúrgica. Quando Carrie finalmente explode, o leitor não sente apenas medo — sente também uma espécie de justiça brutal, ainda que trágica.
A relação entre Carrie e sua mãe, Margaret White, é um dos núcleos mais perturbadores do livro. Margaret é uma das vilãs mais aterrorizantes da obra de King: uma mulher dominada por delírios religiosos, que vê na filha uma abominação. O lar, que deveria ser refúgio, torna-se cárcere. E o poder de Carrie, inicialmente reprimido, emerge como resposta ao abuso — uma metáfora potente sobre o despertar da identidade diante da opressão.
Carrie não apenas revelou Stephen King ao mundo — ela antecipou os temas que o autor exploraria ao longo de décadas: o terror psicológico, o trauma, a infância ferida, o poder feminino e a violência como catarse. A obra foi adaptada para o cinema em 1976 (por Brian De Palma) e reimaginada em 2013, consolidando seu lugar como um dos pilares da cultura pop.
Nesta edição especial, a nova tradução de Regiane Winarski preserva o ritmo e a tensão do texto original, enquanto o projeto gráfico da Editora Suma valoriza o caráter icônico da obra. É uma leitura que transcende o gênero — um estudo sobre o que acontece quando o mundo ignora, ridiculariza e destrói uma jovem que só queria existir.
“Ela fechou os olhos, dormiu e sonhou com pedras enormes e vivas caindo na noite, procurando a Mamãe, procurando Eles.”
Carrie: Coleção Biblioteca Stephen King é mais do que um livro de terror. É um retrato cruel da adolescência, da intolerância e da fúria contida. Um clássico moderno que continua a reverberar — e a incomodar — meio século depois.