| Edição: 1ª |
| Publicação: 21 de setembro de 2022 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 624 |
| Dimensões: 16 x 2.9 x 23 cm |
| Formato: Brochura / Capa comum |
| ISBN-10: 8556511570 |
| ISBN-13: 9788556511577 |
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Conto de Fadas é, acima de tudo, uma história sobre legado — o que herdamos, o que escolhemos carregar, e o que decidimos deixar para trás. É King em sua fase madura, mais interessado em explorar o coração humano do que em assustar com fantasmas. E talvez por isso, assuste ainda mais.
📘 Conto de Fadas, de Stephen King, é uma obra que se desvia com elegância da trilha do horror — gênero que consagrou o autor — para se embrenhar numa fantasia sombria e profundamente humana. O romance começa com um tom quase doméstico, quase realista: Charlie Reade, um adolescente de 17 anos, vive em Illinois e carrega nas costas o peso do luto e da responsabilidade. A mãe morreu num acidente, o pai afundou na bebida, e Charlie aprendeu cedo a ser adulto.
A narrativa se abre como quem não tem pressa, com King fazendo o que sabe melhor: construir personagens com carne, osso e contradição. Charlie é bom, mas não perfeito. É curioso, mas não imprudente. E é justamente essa humanidade que o torna capaz de se conectar com Howard Bowditch, o vizinho recluso e ranzinza, e com Radar, a cadela idosa que parece guardar segredos no olhar.
Quando Howard morre, deixa para Charlie uma herança insólita: uma fita cassete e um portal para outro mundo. E é aí que o conto de fadas começa — não com fadas cintilantes, mas com um reino devastado, uma princesa cega, um povo oprimido e uma escuridão que não se dissipa com magia, mas com coragem e escolhas difíceis.
King homenageia os grandes mestres da fantasia — Lovecraft, Burroughs, Howard — mas sem perder sua assinatura: o terror aqui é psicológico, é o medo da perda, da decadência, da responsabilidade que pesa mais do que a espada. O mundo fantástico de Empis não é uma fuga, mas um espelho distorcido da realidade de Charlie. E como todo bom conto de fadas, há monstros, provações e uma jornada de transformação.
A prosa é fluida, mas densa. Há trechos que parecem sussurrar ao leitor: “O tempo é a água, Charlie. A vida é só a ponte embaixo da qual ele passa.” E há outros que rugem, como quando o mal se revela não como criatura, mas como sistema.
O estilo narrativo de Conto de Fadas, de Stephen King, é marcado por uma fusão entre o realismo psicológico e a fantasia clássica, com uma estrutura que remete à tradição do romance de formação. Narrado em primeira pessoa por Charlie Reade, o protagonista adolescente, o texto assume um tom íntimo e reflexivo, como se o leitor estivesse ouvindo um relato pessoal — quase um diário de viagem entre mundos.
King constrói a narrativa em duas grandes partes: a primeira, situada no mundo real, é profundamente enraizada no cotidiano, com atenção aos detalhes emocionais e sociais — luto, alcoolismo, amizade, responsabilidade. A segunda parte, que se passa no mundo fantástico de Empis, adota uma cadência mais épica, com descrições ricas e atmosfera sombria, evocando os contos de fadas originais — aqueles que vinham com sangue, ambiguidade moral e monstros que não se escondem sob camas, mas governam reinos.
O ritmo é deliberado: King não tem pressa. Ele permite que os personagens se revelem aos poucos, que os vínculos se formem com densidade, e que o mundo fantástico surja como extensão simbólica da psique de Charlie. Há ecos de A Torre Negra e O Talismã, mas com uma maturidade narrativa que reflete o King dos últimos anos — mais interessado em explorar o que significa crescer, perder, cuidar e escolher.
A linguagem é fluida, mas não simplista. Há momentos de lirismo contido, como quando Charlie observa o tempo como “água que passa sob a ponte da vida”, e há trechos de tensão quase cinematográfica, especialmente nas cenas de confronto em Empis. O uso da primeira pessoa permite que o leitor acompanhe não apenas os eventos, mas as dúvidas, os medos e as transformações internas do protagonista.
Em resumo, o estilo narrativo de Conto de Fadas é uma mescla de confissão, crônica e epopeia, com a assinatura de King: personagens complexos, mundos densos e uma escrita que sabe quando sussurrar e quando rugir. Se quiser, posso te mostrar como esse estilo se compara ao de O Instituto ou It, ou como ele dialoga com a tradição dos contos de fadas sombrios.
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